Vacina da Janssen: efeitos colaterais e como funciona

As vacinas contra a COVID-19 são essenciais para que o nosso organismo desenvolva imunidade contra o vírus causador da doença. Dentre as vacinas contra a COVID-19 disponíveis no Brasil, temos a vacina da Janssen, que apresenta um esquema de vacinação em dose única. 

Neste post, vamos esclarecer as principais dúvidas sobre a vacina da Janssen, para que profissionais da saúde, farmacêuticos e cidadãos em geral estejam bem informados sobre a novidade. Saiba como a vacina é produzida, como funciona o imunizante, quais são os efeitos colaterais e por que essa vacina é em dose única. 

Como a vacina da Janssen é produzida e como ela funciona?

Cada laboratório apostou em uma metodologia diferente para criar os imunizantes que estão sendo utilizados por nações de todo o mundo. A Coronavac e a Butanvac, do Instituto Butantan, por exemplo, utilizam o vírus inativado em sua formulação.

A vacina da Jannsen utiliza a  tecnologia de vetor viral não replicante, semelhante à utilizada na vacina de Oxford/AstraZeneca e também no imunizante russo Sputnik V. Essa tecnologia utiliza um adenovírus modificado geneticamente para estimular a produção de anticorpos no organismo.

Para produzir a vacina, um pedaço da proteína “S” do vírus Sars-CoV-2 é injetada em um adenovírus (o vírus do resfriado comum) que não é capaz de se replicar, e serve basicamente para transportar o material genético. Ao detectar a proteína S, o sistema imunológico do indivíduo vacinado passa a criar os anticorpos necessários para combater o vírus que carrega originalmente essa proteína.

A vacina da Janssen é segura? Ela foi aprovada pela Anvisa?

Antes de mais nada, é importante deixar claro que toda vacina que está sendo distribuída e utilizada no Brasil (Coronavac, AstraZeneca/Oxford e Comirnaty/Pfizer), foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Então, fique tranquilo: a vacina da Janssen é segura e foi aprovada pela Anvisa, além de ser um dos sete imunizantes aprovados para uso pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A autorização para uso emergencial no país ocorreu no dia 31 de Janeiro de 2021.

O Brasil foi um dos países que participou da testagem da vacina: 7 mil brasileiros foram voluntários para receber o imunizante antecipadamente, a fim de auxiliar no processo de análise de sua eficácia.

Qual a eficácia da vacina da Janssen?

De acordo com testes realizados com 44 mil pessoas de diferentes países, a vacina da Janssen alcançou até 85% de eficácia para prevenir casos graves da doença, 28 dias após a aplicação.

A eficácia global da vacina para casos leves é de 67% contra infecções sintomáticas, de acordo com a OMS e a própria bula que acompanha o medicamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a vacina Janssen, de dose única, é eficaz para fornecer imunidade total. No entanto, para os países que decidirem utilizar uma dose de reforço, a recomendação é que seja administrada de dois a seis meses após a primeira. De acordo com a OMS, para melhores resultados, a segunda dose deve ser aplicada o mais tarde possível dentro desse período, especialmente em pessoas acima de 65 anos.

Quais são os efeitos colaterais da vacina da Janssen?

Como praticamente qualquer outro medicamento, a vacina da Janssen pode apresentar efeitos colaterais leves em uma parcela da população.

Os possíveis efeitos colaterais descritos na bula são divididos em 4 categorias:

  • Efeitos muito comuns: dor no local da aplicação, dores de cabeça, dores musculares, náusea e sensação de cansaço;
  • Efeitos comuns: vermelhidão e inchaço no local da aplicação, arrepios, dores nas articulações, tosse e febre;
  • Efeitos pouco comuns: fraqueza muscular, irritação na pele, dores nos braços ou pernas, indisposição, dor de garganta, dor nas costas, espirros, tremores e suor excessivo;
  • Efeitos raros: reação alérgica a algum componente da vacina seguida de urticária;

Vale ressaltar que estes efeitos colaterais podem se manifestar um ou dois dias após a aplicação da vacina. Se você tiver uma reação alérgica grave, ligue para 192, ou dirija-se ao hospital mais próximo. Ligue para o local onde a vacina foi aplicada, ou seu profissional de saúde, se tiver algum efeito colateral que o incomode ou persista.

Os sinais de uma reação alérgica grave podem incluir:

  • Dificuldade de respirar;
  • Inchaço no rosto e garganta;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Erupção cutânea forte em todo o corpo;
  • Tonturas e fraqueza.

Por que a vacina da Janssen é dose única?

A segunda dose de qualquer vacina é chamada de reforço, e é aplicada sempre que a primeira dose de um imunizante não é suficientemente forte para garantir uma resposta imunológica adequada do organismo. As vacinas contra hepatite B, poliomielite e a tetravalente (que combate difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b) são alguns exemplos de vacinas que precisam de duas doses há anos.

No caso da vacina da Janssen contra a Covid-19, os testes clínicos comprovaram que ela é capaz de atingir a eficácia necessária exigida pela OMS (que é de no mínimo 50%) após apenas uma dose. Por isso, não é necessária a segunda dose, como as outras.

Importante frisar que isso não torna o imunizante “melhor” do que os outros, uma vez que todos foram testados e aprovados. O principal benefício de uma vacina de dose está em facilitar e agilizar as campanhas de vacinação. No organismo, porém, todas as marcas disponíveis têm eficácia comprovada, e podem ser utilizadas sem receio. 

Onde as vacinas da Janssen estão sendo distribuídas?

A distribuição das doses de qualquer imunizante é organizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Exames de sorologia após a vacinação são recomendados?

Via de regra, a eficácia das vacinas que estão sendo aplicadas na população brasileira dispensa a realização de exames posteriores, uma vez que elas foram testadas e aprovadas pelos órgãos regulamentadores.

Porém, em casos de pessoas que fazem parte de grupos de risco, o médico pode indicar que um exame seja realizado após a administração da vacina. A ideia é se certificar que o organismo está produzindo a quantidade adequada de anticorpos para combater o vírus. No entanto, segundo orientações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), os testes sorológicos, não são recomendados para esse fim porque não permitem uma conclusão isenta de erros sobre a resposta à vacina, o que pode ocorrer por alguns motivos:

  1. Não se sabe o nível de anticorpos necessários (correlato de proteção) para prevenir a COVID-19, portanto o resultado positivo (reagente) não significa necessariamente que a pessoa está protegida.
  2. O resultado negativo (não reagente) pode refletir a baixa sensibilidade do exame (falso negativo). Isso significa que, pessoas protegidas pela vacina podem testar negativo no exame.
  3. As vacinas contra COVID-19 têm como alvo a produção de anticorpos contra a proteína S do SARS-CoV-2. Essa proteína é responsável pela ligação com nossas células e a consequente infecção. São esses os anticorpos que seriam os marcadores de proteção a serem investigados.

Gostou do conteúdo? Leia também: Como é o tratamento da COVID-19?

Referências:

Janssen. Autorização de Uso Emergencial (AUE) da vacina da Janssen contra COVID-19 pela Anvisa. Disponível em: <https://www.janssen.com/brasil/covid19>. Acesso em: 17 de janeiro de 2022.

Nações Unidas. ONU News. OMS: vacinas protegem casos graves de Covid-19 de forma eficaz até 6 meses. Disponível em:
<https://news.un.org/pt/story/2021/12/1773282>. Acesso em: 17 de janeiro de 2022.

Secretaria de Estado de Saúde de Mimas Gerais. Blog Coronavírus. VACINAÇÃO COVID-19: JANSSEN (JOHNSON & JOHNSON). Disponível em:
<https://coronavirus.saude.mg.gov.br/blog/331-vacinacao-covid-19-janssen>.  Acesso em: 17 de janeiro de 2022.

 

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