Sepse: sintomas, diagnóstico, fatores de risco e tratamento

Você sabia que a sepse é a principal causa de morte nas UTI em todo o mundo? Mas o que é sepse? Se não sabe, não se acanhe: o termo não é muito difundido entre o público em geral, então deve haver muita gente que não sabe o que é isso, mas ficou alarmado com a pergunta que inicia este artigo.

Se você não faz ideia do que é sepse, ou já sabe, mas quer se informar melhor sobre o tema, veio ao lugar certo: hoje vamos explicar o que é sepse, quais os sintomas mais comuns e como ela é diagnosticada e tratada.

O que é a sepse

Antes de qualquer coisa, vamos esclarecer o conceito de uma vez por todas para não deixar ninguém curioso: a sepse é um conjunto de reações inflamatórias que nosso organismo desencadeia como resposta a uma infecção grave. Popularmente, a sepse é conhecida como infecção generalizada. Outro nome utilizado para ela é septicemia.

Quando nosso organismo é atacado por uma infecção, o sistema imunológico trata de colocar em prática algumas táticas para combater os invasores. O problema é que, se o quadro infeccioso é muito grave, a resposta do organismo pode ser muito agressiva, gerando uma reação capaz de comprometer o funcionamento de seus próprios órgãos.

A sepse configura-se, portanto, como uma resposta inflamatória descontrolada por parte do organismo. Apesar do termo “infecção generalizada”, um caso de sepse não necessariamente está espalhado por todo o corpo do paciente. O órgão infectado pode ser apenas um, mas a reação inflamatória decorrente da infecção acaba atingindo (e debilitando) outros órgãos.

Embora, em teoria, qualquer doença infecciosa possa levar a uma sepse, ela acomete com mais frequência pacientes em que o foco da infecção está na região abdominal (apendicites, peritonites, infecções no pâncreas, nos intestinos ou nos rins), infecções urinárias, nos pulmões ou na pele – por conta de feridas abertas ou incisões para introduzir sondas e cateteres.

Os números da sepse são alarmantes no Brasil e no mundo: segundo dados da Pfizer, ela é responsável por 65% das mortes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras. Ou seja, o que leva os pacientes a óbito não é nem a doença que os internou, mas a resposta inflamatória que é desencadeada em decorrência dela, e configura uma síndrome complexa e grave.

Quais são os sintomas?

Por não ser uma doença, mas uma complicação decorrente de uma infecção (que pode ser de origem bacteriana, fúngica ou viral), os sintomas da sepse variam entre um caso e outro. Apesar disso, existem certos indícios que podem alertar o profissional de saúde para um caso de septicemia.

Os principais sintomas incluem (mas não se limitam) aos seguintes:

  • Febre
  • Hipotermia (diminuição brusca da temperatura do corpo)
  • Taquipneia (respiração acelerada e curta)
  • Edema (inchaço visível em alguma parte do corpo)
  • Queda da pressão arterial
  • Taquicardia (aumento excessivo da frequência cardíaca)
  • Dispneia (falta de ar ou dificuldade respiratória)
  • Agitação
  • Fraqueza extrema e sonolência
  • Diminuição da quantidade de urina
  • Estado de desorientação ou confusão mental
  • Vômito

Se não diagnosticada e tratada com rapidez, a sepse pode evoluir para o chamado choque séptico, um  estado de falência circulatória que pode comprometer múltiplos órgãos, incluindo pulmões, rins e fígado. Geralmente, o choque séptico ocorre quando o agente infeccioso cai na corrente sanguínea, sendo levado para outros órgãos.

Quais são os fatores de risco? 

A septicemia pode acometer qualquer tipo de pessoa, de qualquer idade. Entretanto, existem alguns fatores de risco que não podem ser ignorados, uma vez que podem ocasionar casos mais agudos do problema.

Entre os grupos mais suscetíveis a desenvolverem formas mais graves da sepse estão os recém-nascidos prematuros (que podem sofrer da chamada sepse neonatal), idosos, e indivíduos com algum tipo de imunodepressão. Isso inclui pessoas que têm câncer e/ou estão passando por quimioterapia, por exemplo, bem como pacientes com HIV ou diabetes.

Também fazem parte do grupo de risco pacientes que sofrem de doenças crônicas como insuficiência cardíaca e insuficiência renal, usuários de álcool e drogas ou pacientes hospitalizados que precisam de antibióticos, cateteres ou sondas.  Até mesmo transplantados ou pessoas com grandes feridas causadas por trauma ou queimadura entram para o grupo de risco.

Todas estas pessoas carecem de atenção redobrada para o caso de infecções que podem evoluir para um caso de sepse. Mas, lembre-se que mesmo indivíduos saudáveis podem passar por isso.

Como é feito o diagnóstico

Para diagnosticar a sepse, o profissional da saúde precisa estar atento a quaisquer mudanças no quadro clínico de seus pacientes. Isso se deve ao fato de que, como já mencionamos, uma infecção generalizada não é uma doença, mas pode se manifestar por conta de alguma enfermidade que deixou o organismo em “modo de alerta”.

Em todo caso, o diagnóstico da sepse quase sempre envolve exames clínicos e laboratoriais. Em um primeiro momento, o médico, já conhecendo o foco inicial da infecção e o histórico de saúde do paciente, é capaz de identificar possíveis sintomas mediante um exame físico. Para emitir um diagnóstico com mais segurança, o médico pode solicitar a realização de alguns exames, que irão ajudá-lo a compreender a gravidade do caso. 

Alguns exames de sangue podem ser particularmente eficientes: o hemograma, por exemplo, ajuda a confirmar o processo inflamatório, uma vez que revela alterações nos índices de glóbulos brancos, que são as células responsáveis por conter infecções. Já a medição de lactato acusa o índice de acidose láctica: níveis elevados desta substância indicam que o organismo está sofrendo de hipóxia tecidual (pouco oxigênio chegando aos tecidos do corpo). Por fim, a hemocultura pode isolar o microrganismo patogênico causador da infecção original, o que ajuda a definir as medicações e tratamentos mais eficazes.

Quando estes exames não forem suficientes, podem ser necessários outros procedimentos, como exames de imagem (ultrassonografias e tomografias) ou mesmo análises mais detalhadas de coisas como a secreção expelida pelos pulmões, a urina, ou mesmo de eventuais feridas de pele ou de partes do cateter endovenoso, a fim de identificar possíveis bactérias.

Como é o tratamento 

Considerando as altas taxas de mortalidade da sepse, seu tratamento ainda configura um desafio e tanto para as autoridades de saúde. É fato, porém, que qualquer esforço para conter a septicemia seja iniciado de forma rápida, o que pode aumentar as chances de cura.

O Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) apresenta uma série de protocolos que devem ser seguidos para que seja oferecido o melhor atendimento emergencial para o paciente que se encontra acometido de sepse, de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) ou de choque séptico.

Rapidez é fundamental: o chamado “pacote de uma hora” visa coordenar uma série de ações de emergência, que devem ser colocadas em prática ainda durante a primeira hora de atendimento em caso de sepse, ainda na sala de emergência. O médico emergencista é o protagonista na luta para reanimar o paciente e reverter o quadro de sepse para preservar a saúde do paciente.

As medidas do pacote incluem, por exemplo, a coleta do lactato arterial e de duas hemoculturas, feitas com base em amostras de diferentes origens, seguidas da prescrição e administração de antimicrobianos de amplo espectro a fim de atenuar a infecção que originou a septicemia. A utilização de vasopressores, ressuscitação volêmica ou mesmo intubação seguida de ventilação mecânica podem ser necessárias.

A complexidade do tratamento está diretamente relacionada à complexidade da sepse em si. Mas, em linhas gerais, a ideia é utilizar uma combinação de antibióticos e aparelhos para restabelecer as funções do organismo e manter os sinais vitais do paciente em níveis estáveis e adequados (incluindo temperatura corporal, batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração).

13/09: Dia Mundial da Sepse

Como vimos, a sepse ainda desafia médicos e profissionais da saúde de todo o planeta. Justamente por isso, foi instituído o Dia Mundial da Sepse, que é (na falta de uma palavra melhor) celebrado em 13 de setembro.

Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, a data foi estabelecida para “aumentar a consciência pública para este desastre de saúde pouco conhecido”, bem como, “mostrar apoio e solidariedade para com os milhões de pessoas que perderam seus entes queridos” e principalmente para “lembrar ao público, à mídia, às autoridades de saúde, aos profissionais de saúde, aos formuladores de políticas e aos governos, que há uma necessidade urgente de aumentar e melhorar a educação em nível local, regional, nacional e internacional”.

É importante ressaltar que, embora a infecção generalizada esteja, geralmente, associada à ambientes hospitalares e UTIs, muitas das infecções que levam à sepse não são adquiridas só em hospitais, ou podem ser levadas até aquele ambiente por visitantes ou profissionais da área médica.

Por isso, a conscientização sobre maneiras de evitar infecções é tão importante. A prevenção inclui coisas simples, como manter a vacinação em dia, evitar a automedicação (especialmente de antibióticos, para evitar que a bactérias adquiram resistência aos medicamentos) e higienizar mãos e punhos com água e sabão ou álcool em gel ao chegar da rua, visitar pessoas doentes ou adentrar hospitais.

Este esforço parte de diversas organizações ao redor do mundo, como o já mencionado ILAS e a Global Sepsis Alliance (GSA). Fomentar a discussão em torno deste grave problema é essencial, especialmente no dia de hoje. Acesse o site oficial do Dia Mundial da Sepse para informar-se sobre ações, eventos e campanhas que estão sendo realizados.

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