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Interpretação do exame de COVID: Entenda o seu resultado

Nem sempre a interpretação do exame de COVID-19 é simples. Leia o artigo a seguir para entender o significado do seu resultado e saber o que fazer com ele.
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Para enfrentar a disseminação do SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19, a Organização Mundial da Saúde recomenda a testagem em massa. Existem diferentes tipos de testes disponíveis no mercado, que podem ser realizados em farmácias, laboratórios e hospitais. No entanto, a interpretação do exame de COVID nem sempre é simples. Consequentemente, muitas pessoas ficam sem saber quais orientações que devem ser seguidas. 

Acompanhe o artigo e saiba como interpretar o seu exame. 

Interpretação do exame de COVID: Exames indicados para a fase inicial da infecção 

Exame de RT-PCR 

RT-PCR é a sigla para transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase. Esse teste é de biologia molecular e irá detectar uma pequena parte do genoma do novo coronavírus. 

A técnica é de alta especificidade e sensibilidade, dificilmente apresenta falsos negativos e detecta o vírus antes mesmo de ele começar a se multiplicar. 

Quando o exame de RT-PCR pode ser realizado?  

O RT-PCR é o melhor marcador para a fase inicial da infecção, principalmente após os primeiros dias após o início dos sintomas. É recomendável que o teste seja realizado entre o 1º e 10º dias de sintomas, preferencialmente. Neste período, a carga viral é maior. Segundo pesquisas, a partir do 10º dia da infecção, a positividade do RT-PCR começa a cair, chegando a 45,9%. 

Quais são os possíveis resultados do exame de RT-PCR? 

– Não detectável (Negativo)

Possivelmente, ausência de infecção. No entanto, falsos-negativos são possíveis, principalmente se a amostra foi coletada em uma fase precoce ou tardia da infecção. Como vimos, a positividade do RT-PCR tende a cair com o passar dos dias por isso é recomendável  que o teste seja coletado entre o 1º e 10º dias de sintomas.

Caso o teste tenha sido negativo, mas a suspeita clínica persista, é recomendável fazer um teste de sorologia. Esse teste detecta a resposta do seu organismo à infecção, ou seja, detecta os anticorpos contra o SARS-CoV-2. 

– Detectável (Positivo)

Segundo o Ministério da Saúde, casos com RT-PCR positivo não necessitam realizar investigação diagnóstica complementar. Esses casos são tratados como casos confirmados de COVID-19. 

Por isso, é essencial seguir todas as recomendações do Ministério da Saúde para evitar a disseminação do novo coronavírus para outras pessoas. Você e sua família devem ficar em isolamento por, no mínimo, 10 dias a partir da data de início dos sintomas. 

Utilize máscara o tempo todo e, se possível, fique em um cômodo separado. Separe toalhas de banho, garfos, facas, colheres, copos e outros objetos apenas para uso próprio. Lave bem as mãos, com água e sabão, ou utilize álcool 70%. Além disso, você deve manter a distância mínima de 1.5 – 2.0  metros dos demais moradores da sua casa.

Os sintomas também devem ser monitorados. Entre em contato com um médico ou ligue 136, que é o número do serviço de teleconsulta do Sistema Único de Saúde, o TeleSUS. 

Exame RT-LAMP

LAMP é a sigla para amplificação isotérmica mediada por loop. Assim como a RT-PCR, o RT-LAMP é um teste de amplificação de ácido nucleico, do inglês NAAT – Nucleic Acid Amplification Test. Ambas as técnicas induzem reações para realização de transcrição reversa (RT) e uma fase de amplificação. Os dois são exames de Biologia Molecular, uma vez que identificam o material genético presente na amostra. 

Quais são os possíveis resultados do exame de RT-LAMP? 

O exame RT-LAMP é qualitativo. São dois os possíveis resultados:

– Não detectável (Negativo)

Possível ausência de infecção pelo coronavírus. No entanto, falsos-negativos são possíveis, principalmente se a amostra foi coletada em uma fase muito precoce ou tardia da infecção.

– Detectável (Positivo)

Possível infecção pelo coronavírus. O resultado indica que o material genético do vírus foi detectado na amostra analisada.

Exame de antígeno 

Assim como o exame de RT-PCR, o exame de antígeno também é feito com um swab nasofaríngeo, que nada mais é do que um cotonete mais longo. Esse cotonete é inserido na cavidade nasal até que sua ponta de algodão atinja a região da nasofaringe.

O exame de antígeno é mais barato quando comparado ao RT-PCR e surgiu como uma forma de identificar o mais rápido possível a infecção, uma vez que, assim como o exame de RT-PCR, é indicado para a fase inicial. No entanto, o resultado do exame de antígeno sai em apenas alguns minutos, e não em 2 ou 3 dias, como é o caso do exame de RT-PCR. O exame detecta os antígenos, ou seja, as proteínas virais. 

São dois os possíveis resultados: Não reagente (Negativo) e Reagente (Positivo).

– Não Reagente (Negativo)

O resultado indica que não foi detectada a presença de antígenos do vírus SARS-CoV-2 na amostra de secreção de nasofaringe analisada. Sugere ausência de infecção por coronavírus. 

– Reagente (Positivo)

O resultado indica a presença de antígenos do vírus SARS-CoV-2 na amostra de secreção de nasofaringe analisada. Sugere infecção pelo coronavírus. 

Leia também: >>>>> Saiba como o exame de antígeno pode mudar a pandemia <<<<<

Interpretação do exame de COVID: Exames indicados para avaliar infecção passada

Testes rápidos sorológicos 

Embora os testes rápidos não sejam confirmatórios, eles são essenciais para avaliar se a pessoa já foi infectada pelo SARS-CoV-2. Os exames que detectam anticorpos são indicados para o mapeamento epidemiológico, ou seja, são importantes na avaliação do número de pessoas que contraíram a doença ou adquiriram anticorpos contra o coronavírus ao longo do tempo.

Exame sorológico IgM e IgG 

Este exame detecta as Imunoglobulinas M (IgM) e G (IgG), ou seja, detecta a presença de anticorpos, que são produzidos pelo organismo para combater a infecção. Esse exame pode ser feito com uma amostra de sangue, soro ou plasma sanguíneo. 

Os anticorpos IgM indicam infecção na fase inicial, pois eles são os primeiros anticorpos a aparecer quando vírus ou bactérias nocivas atacam o nosso corpo. Já os anticorpos IgG, também são uma resposta a vírus e bactérias, porém atuam na fase mais tardia da infecção. 

Quando o exame de sorologia pode ser realizado? 

Para que o teste consiga detectar a resposta à infecção, é necessário que haja uma quantidade mínima de anticorpos. 

O exame de sorologia Hilab detecta anticorpos a partir do 7º dia do início do sintomas. Por isso, caso o exame seja realizado antes desse período, o resultado pode ser um falso negativo, ou seja, você poderá estar com a infecção, mas o teste não será capaz de detectar os anticorpos produzidos. 

Quais são os possíveis resultados de um exame de Coronavírus IgM e IgG?

– IgM não reagente e IgG não reagente 

Indica possível ausência da infecção. Portanto, você deve adotar e manter todas as recomendações do Ministério da Saúde para evitar o contágio. Quando realizado fora do período indicado, há possibilidade de falso negativo. Neste caso, o exame deve ser repetido, caso a suspeita clínica persista.

– IgM reagente e IgG não reagente 

O resultado IgM reagente significa que provavelmente o paciente está com a COVID-19. O fato de o IgM ter sido reagente indica que o organismo está produzindo anticorpos da fase inicial da infecção para combater o SARS-CoV-2.

– IgM reagente e IgG reagente 

O resultado IgM e IgG reagentes significa que provavelmente o paciente está com a COVID-19. O fato de o IgG ter sido reagente indica que o organismo pode estar produzindo os anticorpos da fase mais tardia da infecção.

– IgM não reagente e IgG reagente 

Este resultado indica provável infecção passada. No entanto, os cuidados com a higiene pessoal e domiciliar devem ser mantidos mesmo após a recuperação. Lembre-se que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode ocorrer mais de uma vez.

Interpretação do exame de COVID: Exame sorológico anticorpos totais 

Existe também, um exame sorológico que não faz a distinção entre os anticorpos IgM e IgG: o exame de anticorpos totais. Sendo assim, a positividade do teste pode indicar presença de anticorpos IgM e IgG, somente IgM ou somente IgG. 

Por este motivo o médico que irá interpretar o exame precisa ter muito cuidado. Por indicar somente a presença ou não de anticorpos, não é possível saber se a infecção está na fase inicial ou se a pessoa já passou por ela. 

Reagente (Positivo) 

Pode indicar presença de anticorpos IgG e IgM, somente presença de anticorpos IgM ou somente presença de anticorpos IgG. É recomendado realizar um teste de sorologia que diferencie o IgM do IgG. 

Não reagente (Negativo)    

Pode indicar ausência de anticorpos IgG e IgM (nunca teve contato com o vírus). Também pode ser um falso negativo, caso o exame tenha sido realizado no início da infecção. 

Os exames sorológicos devem ser realizados para avaliar a eficácia da vacina? 

Não. Segundo a SBIm, os testes sorológicos, não são recomendados para esse fim porque não permitem uma conclusão isenta de erros sobre a resposta à vacina, o que pode ocorrer por alguns motivos:

  1. Não se sabe o nível de anticorpos necessários (correlato de proteção) para prevenir a COVID-19, portanto o resultado positivo (reagente) não significa necessariamente que a pessoa está protegida.
  2. O resultado negativo (não reagente) pode refletir a baixa sensibilidade do exame (falso negativo). Isso significa que, pessoas protegidas pela vacina podem testar negativo no exame.
  3. As vacinas contra COVID-19 têm como alvo a produção de anticorpos contra a proteína S do SARS-CoV-2. Essa proteína é responsável pela ligação com nossas células e a consequente infecção. São esses os anticorpos que seriam os marcadores de proteção a serem investigados.

Quando realizar cada exame? 

Como já vimos, existe um período adequado para realizar cada teste. O exame de RT-PCR deve ser realizado, preferencialmente, entre o 1º e 10º dias de sintomas, quando a positividade é maior. Caso contrário, o resultado poderá ser um falso negativo. O teste rápido de antígeno também deve ser realizado no início da infecção, no entanto, diferente do teste de Biologia Molecular, não define diagnóstico. 

Já o exame de sorologia deve ser realizado, preferencialmente, a partir do 7º dia de início dos sintomas. Entretanto, esse período também pode variar de acordo com a marca do teste. Por isso, antes de realizá-lo, pergunte ao profissional de saúde qual é melhor período para detecção. Lembre-se também que o teste não define o diagnóstico e deve ser interpretado de acordo com os achados clínicos.   

O quadro a seguir mostra o período no qual cada teste para COVID-19 é indicado: 

Qual é o melhor teste? 

Como vimos, cada exame deve ser realizado em um determinado período e apresenta um objetivo. O melhor teste para o início da infecção, considerado o padrão-ouro para o diagnóstico é o RT-PCR. Resultados positivos para este exame são considerados positivos para a doença, portanto, é um teste de diagnóstico da COVID-19. No entanto, lembre-se que falsos negativos podem ocorrer. São vários os fatores que podem levar a um resultado falso negativo como: má qualidade da amostra, a amostra foi coletada em um fase muito precoce ou tardia da infecção, a amostra não foi manuseada corretamente.  Outros exames indicados para a fase inicial da infecção incluem o RT-LAMP e o exame de antígeno. 

Já o exame de sorologia, é útil para determinar a prevalência de infecções pelo novo coronavírus durante a pandemia. Além disso, também são úteis para identificar pacientes com alta suspeita clínica para COVID-19, mas com resultado de RT-PCR negativo ou RT-PCR indisponível.

Ficou com alguma dúvida em relação à interpretação do exame de COVID? Não deixe de entrar em contato com seu médico ou com serviço de teleconsulta do Sistema Único de Saúde (SUS) ligando para 136. 

Referências bibliográficas

Revista Pesquisa Fapesp. A importância de testar em larga escala. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/2020/04/09/a-importancia-de-testar-em-larga-escala/>. Acesso em: 04 de maio de 2020. 

Sociedade Brasileira de Análises Clínicas. SBAC. Disponível em: <http://www.sbac.org.br/blog/2020/03/30/diagnostico-laboratorial-do-coronavirus-sars-cov-2-causador-da-covid-19/>. Acesso em: 04 de maio de 2020. 

Laboratory testing for 2019 novel coronavirus (2019-nCoV) in suspected human cases. Disponível em: <https://www.who.int/publications/i/item/laboratory-testing-for-2019-novel-coronavirus-in-suspected-human-cases-20200117>. Acesso em: 04 de maio de 2020. 

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