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A carreira do farmacêutico e os novos desafios profissionais

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Após a aprovação da lei Nº 13.021, de 8 de agosto de 2014, a farmácia passou a ser considerada um estabelecimento de saúde, o que configurou uma grande conquista para a classe profissional. De acordo com essa resolução: 

“Farmácia é uma unidade de prestação de serviços destinada a prestar assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva, na qual se processe a manipulação e/ou dispensação de medicamentos magistrais, oficinais, farmacopeicos ou industrializados, cosméticos, insumos farmacêuticos, produtos farmacêuticos e correlatos”.  

Outra grande conquista foi a regulamentação das atribuições clínicas do farmacêutico. Sendo assim, o papel desse profissional no cuidado da saúde dos pacientes foi ampliado, o que trouxe novos desafios.

Embora no Brasil,  a maioria dos farmacêuticos trabalhe com dispensação de medicamentos, uma pesquisa recente realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) demonstrou que 73% dos entrevistados preferem que as farmácias tenham consultórios farmacêuticos, revelando que há demanda para esse tipo de serviço. 

Quer saber o que você pode estudar e quais habilidades precisam ser desenvolvidas para atender a essa demanda? Acompanhe o artigo a seguir. 

A Farmácia Clínica

A Farmácia clínica é uma área da prática farmacêutica que contribui diretamente para o cuidado do paciente, promovendo o uso apropriado e racional de medicamentos e produtos para a saúde. 

Com a Resolução Nº 585 de agosto de 2013, as atribuições clínicas do farmacêutico foram regulamentadas, trazendo novas perspectivas para a profissão. Desta forma, a Farmácia clínica, que já era uma área bem valorizada pelo mercado, tem se tornado cada vez mais importante.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, já existem mais de 1,5 mil consultórios farmacêuticos em funcionamento nas farmácias de todo o país. 

Com as novas resoluções espera-se que esse número aumente ainda mais. Além disso, com o envelhecimento da população, as doenças crônicas não transmissíveis como Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes mellitus estão se tornando cada vez mais frequentes, o que implica em um maior consumo de medicamentos.

Para atuar nessa área, o farmacêutico precisa ter um perfil multidisciplinar, boa comunicação oral e escrita, capacidade de tomar decisões e de interagir com o paciente. Conhecimentos aprofundados em fisiologia humana, patologia, farmacologia e farmacoterapia também são necessários.

De acordo com o American College of Clinical Pharmacist, as competências a serem desenvolvidas para a atividade clínica do farmacêutico incluem:

  • Capacidade de resolver problemas, de julgamento e de tomada de decisão;
  • Gerenciar conflitos e manter uma participação real na equipe multidisciplinar;
  • Educar os paciente, profissionais de saúde e se comunicar de forma efetiva;
  • Compreender os termos médicos e compreender o prontuário;
  • Avaliar e gerenciar as informações médicas de modo a promover o uso racional de medicamentos;
  • Conhecer adequadamente a fisiopatologia e a farmacoterapia para o manejo eficiente de medicamentos;
  • Interpretar e utilizar os dados laboratoriais de forma adequada gerando medidas de interpretação farmacêutica que levem à otimização da farmacoterapia.

Segundo especialistas da área, mesmo quando o curso de graduação foi bem estruturado e vivenciado, há deficiências curriculares, principalmente em matérias relacionadas à prática clínica, como a interpretação de exames laboratoriais. Desta forma, a busca por cursos de pós-graduação acabam sendo uma alternativa para suprir as deficiências.

O que há de novo na carreira do farmacêutico?

Solicitação de exames e outras atribuições clínicas

De acordo com  Art. 7º da Resolução Nº 585 de agosto de 2013, algumas das atribuições clínicas do farmacêutico relativas ao cuidado à saúde incluem:

  • Estabelecer e conduzir uma relação de cuidado centrada no paciente;
  • Avaliar resultados de exames clínico-laboratoriais do paciente, como instrumento para individualização da farmacoterapia;
  • Desenvolver, em colaboração com os demais membros da equipe de saúde, ações para a promoção, proteção e recuperação da saúde, e a prevenção de doenças e de outros problemas de saúde;
  • Fazer a anamnese farmacêutica, bem como verificar sinais e sintomas, com o propósito de prover cuidado ao paciente;
  • Organizar, interpretar e, se necessário, resumir os dados do paciente, a fim de proceder à avaliação farmacêutica;
  • Solicitar exames laboratoriais, no âmbito de sua competência profissional, com a finalidade de monitorar os resultados da farmacoterapia;
  • Avaliar resultados de exames clínico-laboratoriais do paciente, como instrumento para individualização da farmacoterapia;
  • Monitorar níveis terapêuticos de medicamentos, por meio de dados de farmacocinética clínica;
  • Determinar parâmetros bioquímicos e fisiológicos do paciente, para fins de acompanhamento da farmacoterapia e rastreamento em saúde.
  • Realizar ações de rastreamento em saúde, baseadas em evidências técnico-científicas e em consonância com as políticas de saúde vigentes.

O trabalho com essas atribuições exige do profissional, além de conhecimentos técnicos aprofundados,  uma boa comunicação interpessoal, o que envolve a utilização de técnicas para orientar o paciente visando a promoção da saúde.

As habilidades de comunicação incluem o acolhimento, o aconselhamento, a empatia e a escuta ativa e a assertividade. Desta forma, desenvolver ou aprimorar essas habilidades é essencial para a carreira profissional, pois possibilita uma relação mais próxima entre pacientes e farmacêuticos, além de ser positiva para a saúde como um todo.

Dentre as atribuições clínicas dos farmacêuticos, o rastreamento em saúde merece um destaque. 

O que é o rastreamento em saúde? 

O rastreamento em saúde envolve a identificação de indivíduos que ainda não foram diagnosticados com a doença e pode ser feito por diferentes profissionais. 

O rastreamento tem o intuito de prescrever medidas de prevenção ou encaminhar casos suspeitos a outros profissionais. Na provisão desses serviços, alguns testes podem ser realizados pelos farmacêuticos como: verificação da pressão arterial; medidas da glicemia e do colesterol. 

Para maior aceitabilidade do paciente o ideal é que os procedimentos utilizados no rastreamento sejam de baixo custo, de fácil utilização e pouco invasivos, como os Testes Laboratoriais Remotos (TLR)

Muitas farmácias têm apostado nesses novos serviços e o número tende a aumentar. Desta forma, é importante que o profissional procure sempre atualizar seus conhecimentos para se destacar na carreira. 

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Prescrição farmacêutica

A resolução nº 586/2013 define em seu artigo 3º a prescrição farmacêutica como sendo o “ato pelo qual o farmacêutico seleciona e documenta terapias farmacológicas e não farmacológicas, e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente, visando à promoção, proteção e recuperação da saúde, e à prevenção de doenças e de outros problemas de saúde”. 

Ainda, de acordo com essa resolução: “O farmacêutico poderá realizar a prescrição de medicamentos e outros produtos com finalidade terapêutica, cuja dispensação não exija prescrição médica, incluindo medicamentos industrializados e preparações magistrais – alopáticos ou dinamizados -, plantas medicinais, drogas vegetais e outras categorias ou relações de medicamentos que venham a ser aprovadas pelo órgão sanitário federal para prescrição do farmacêutico”.

Para que um farmacêutico possa exercer a prescrição farmacêutica, o exercício deste ato deverá:  “estar fundamentado em conhecimentos e habilidades clínicas que abranjam boas práticas de prescrição, fisiopatologia, semiologia, comunicação interpessoal, farmacologia clínica e terapêutica”.

 Sendo assim, as habilidades necessárias atuar nessa área incluem:

  • Conhecer as etapas do processo semiológico, aplicando essa etapas ao manejo de problemas de saúde autolimitados (enfermidades agudas de baixa gravidade);
  • Utilizar a comunicação com o paciente para construir uma relação terapêutica;
  • Compreender como documentar o processo de cuidado ao paciente, incluindo a prescrição farmacêutica;
  • Aplicar o conhecimento adquirido para a tomada de decisões em situações da prática clínica.
 

Imunização e aplicação de medicamentos injetáveis

A Resolução/CFF nº 239/92 e a Resolução/CFF nº 499/08, atribuem ao farmacêutico a competência para aplicação de injetáveis.  De acordo com a Resolução nº 499/08: As aplicações de medicamentos injetáveis em farmácias ou drogarias só poderão ser feitas pelo farmacêutico ou por profissional habilitado, com autorização expressa do farmacêutico diretor ou responsável técnico”.

A Lei nº 13.021/14 autorizou a atuação do profissional farmacêutico na vacinação e a Resolução Nº 197/2017 definiu os requisitos para o serviço de imunização em farmácias

Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), para que o farmacêutico possa aplicar vacinas, é necessário fazer um curso de formação complementar que atenda aos referenciais estabelecidos pelo CRF. 

O curso deve ser credenciado pelo CFF ou ofertado por instituições de Ensino Superior reconhecidas pelo MEC. Também podem ser habilitados os farmacêuticos que comprovem experiência mínima de um ano (anterior à data de publicação da norma). Farmacêuticos que realizaram uma pós-graduação que atenda aos requisitos mínimos previstos na resolução, também são habilitados a atuar nesta área.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, 52% dos 2 mil entrevistados aprovam a implementação do serviço de imunização em farmácias e drogarias.

Mudanças na carreira do farmacêutico: benefícios para os pacientes e para o profissional de saúde

Muitos estudos têm demonstrado a importância da farmácia clínica para os pacientes, ao promover o uso racional de medicamentos, aumentando a segurança do paciente e diminuindo o número de intervenções desnecessárias. 

A área está sendo cada vez mais valorizada, tanto pelo mercado de trabalho, quanto pelos pacientes. Importante ressaltar que a habilidade de comunicação com o paciente e também com outros profissionais da área de saúde com médicos, enfermeiros e psicólogos é essencial para a atuação profissional do farmacêutico clínico.

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Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. Revista do farmacêutico. Farmácia clínica – área profissional em alta. Disponível em: <http://portal.crfsp.org.br/revista/264-revista-106/3449-revista-106-farmacia-clinica.html#quadro>. Acesso em: 24 de agosto de 2018.

Conselho Federal de Farmácia. CFF define regras para atuação do farmacêutico na imunização. Disponível em: <http://www.cff.org.br/noticia.php?id=4810>. Acesso em: 23 de agosto de 2018.

ICTQ – Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade. A carreira do farmacêutico clínico. Disponível em: <http://www.ictq.com.br/guia-de-carreiras/490-a-carreira-do-farmaceutico-clinico-3>. Acesso em: 24 de agosto de 2018.

Panorama Farmacêutico. Vacinação em farmácias: enfim regularizada. Disponível em: <https://panoramafarmaceutico.com.br/2017/08/31/pesquisa-revela-aprovacao-de-vacinacao-em-farmacias/>. Acesso em: 23 de agosto de 2018.

 

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