Como o farmacêutico pode melhorar a adesão ao tratamento?

O aconselhamento farmacêutico faz parte de um processo que tem por objetivo o uso correto dos medicamentos e a efetividade do tratamento.

É uma habilidade que fortalece os laços entre o farmacêutico e o paciente, contribuindo para que uma relação de confiança seja estabelecida.

Muitos estudos têm demonstrado que essa habilidade pode aumentar a adesão do paciente ao tratamento, sendo esta uma das mais importantes contribuições do profissional para o uso racional de medicamentos.

Durante a entrevista com o paciente, dois tipos de pacientes não aderentes precisam ser diferenciados: os não aderentes involuntários e os não aderentes voluntários. Quer saber como o aconselhamento farmacêutico pode ajudar esses pacientes? Acompanhe o artigo a seguir.

O que é um não aderente involuntário?

O paciente não aderente involuntário é aquele não utiliza os medicamentos de forma correta porque não entendeu as instruções da equipe de saúde ou porque não se lembra de tomar os medicamentos em horários diferentes, por exemplo. Durante a entrevista clínica, o farmacêutico terá a oportunidade de avaliar a forma como o paciente utiliza o medicamento.

Para ajudar esses pacientes na adesão ao tratamento, muitas estratégias podem ser utilizadas como calendários posológicos e pictogramas. Oferecer porta-comprimidos diários como brindes e organizar os medicamentos do paciente são outras estratégias.

Problemas cognitivos e baixo letramento em saúde também interferem na adesão terapêutica. Nem todos os pacientes entendem o que significa “uso tópico” por exemplo. Durante a consulta farmacêutica, ao se depararem com a receita prescrita pelo médico, os farmacêuticos podem elaborar uma lista de medicamentos que seja mais fácil de compreender, além de procurar passar orientações mais claras ao paciente.

O que é um não aderente voluntário?

O paciente não aderente voluntário é aquele que decide não tomar os medicamentos ou não seguir o tratamento completo, mesmo tendo consciência de que o medicamento é importante. Esse abandono pode estar relacionado, por exemplo, à reações adversas. Nesse caso, o farmacêutico precisa compreender com profundidade as razões que levaram o paciente a não aderir ao tratamento. O mais importante neste caso é tentar ganhar a confiança do paciente.

Aconselhamento farmacêutico: como avaliar a adesão ao tratamento farmacológico?

As formas mais frequentes para avaliar se um paciente aderiu ou não ao tratamento são as verificações indiretas, geralmente medidas pela contagem de comprimidos, acompanhamento do registro de dispensação, reabastecimento de comprimidos, autorrelato do paciente, entrevistas com testes ou escalas de auto percepção de adesão e instrumentos de medida de adesão como o teste de Morisky-Green-Levine e Haynes-Sackett.

Durante a consulta farmacêutica, o uso de questionários e a própria entrevista com o paciente são os métodos mais confiáveis.

Adesão ao tratamento e doenças crônicas

De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 70% dos pacientes com pressão alta, diabetes ou dislipidemias não conseguem controlar suas doenças, mesmo tendo a prescrição e diagnóstico médico. Em sua maioria, esses pacientes utilizam vários medicamentos.

Um outro estudo, também do Ministério da Saúde, revelou que 82% dos pacientes que utilizavam 5 ou mais medicamentos de uso contínuo, não seguiam o tratamento de forma correta, ou demonstravam baixa adesão ao tratamento; um em cada três pacientes abandonou algum tratamento; 33% usaram medicamentos em horários incorretos; 21% adicionaram doses não prescritas.

Além disso, 13% não iniciaram algum tratamento prescrito. A falta de suporte durante o tratamento farmacológico é uma das razões pelas quais os pacientes acabam não utilizando os medicamentos de forma correta.

Para mudar essa realidade, é fundamental que a farmácia ofereça serviços de acompanhamento e aconselhamento. Muitos estudos têm revelado que uma abordagem multiprofissional aumenta a adesão ao tratamento, uma vez que o paciente recebe as mesmas informações de formas diferentes, o que facilita o entendimento dele sobre essas doenças.

Como melhorar o aconselhamento farmacêutico?

A informação oral e escrita pode ser combinada para que melhores resultados sejam alcançados pois as bulas de medicamentos muitas vezes podem não ser compreendidas. Desta forma, é importante utilizar outros materiais educativos para ter a certeza de que o paciente sabe utilizar os medicamentos de forma correta.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, os materiais que podem ser desenvolvidos para o aconselhamento incluem:

  • Folders educativos;
  • Slides de educação ao paciente;
  • Materiais que auxiliam a adesão (contadores, cortadores de comprimidos, inaladores);
  • Fichas onde podem ser listados os medicamentos que o paciente está utilizando, incluindo as posologias;
  • Pictogramas (símbolos que ilustram e descrevem a informação) podem ajudar na comunicação com alguns grupos de pessoas, especialmente se houver a barreira da língua ou linguagem, baixa habilidade de leitura ou deficiência visual.

Outra forma de melhorar o aconselhamento é buscar desenvolver habilidades de comunicação. Estudos também destacam que é importante esquecer o mito de que o paciente é um ser passivo e adotar um atendimento humanizado e centrado no paciente.

Para saber mais sobre o aconselhamento ao paciente consulte o artigo denominado “O papel do farmacêutico comunitário no aconselhamento ao paciente” do Boletim Farmacoterapêutica.

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Referências Bibliográficas

Assistência Farmacêutica Avançada. Quando a letra não é o maior dos problemas. Disponível em: <http://www.assistenciafarmaceutica.far.br/quando-letra-nao-e-o-maior-dos-problemas/>.

Conselho Federal de Farmácia. Pacientes em uso de medicamentos seguem corretamente o tratamento? Disponível em: <http://www.cff.org.br/noticia.php?id=4877>.

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Micheli Pecharki

Micheli Pecharki

Micheli é Bióloga e coordenadora de conteúdos na Hilab. Acredita que transformar o conhecimento técnico em algo acessível é essencial para que as pessoas saibam como cuidar mais da própria saúde e vivam, assim, com mais qualidade de vida. É apaixonada por cachorros e escrever e nas horas vagas gosta de estar em contato com a natureza.

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