Serviço de aferição de pressão na farmácia: como realizá-lo?

Hilab | 03 jan 2020

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição muito prevalente em todo o mundo. Frequentemente se associa a distúrbios metabólicos, sendo agravada pela presença de outros fatores de risco, como dislipidemia, intolerância à glicose e diabetes mellitus.

Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, o objetivo das estratégias para implementação de medidas de prevenção da HA deve ser “estimular o tratamento contínuo, o controle da pressão arterial (PA) e de fatores de risco associados, por meio da modificação do estilo de vida e/ou uso regular de medicamentos”.

Sendo assim, a farmácia exerce um papel essencial nessa estratégia, uma vez que o farmacêutico pode, além de realizar a aferição da pressão do paciente, fazer o acompanhamento farmacoterapêutico e sugerir mudanças no estilo de vida.

Acompanhe o artigo a seguir e confira as principais dicas para realizar este serviço no seu estabelecimento.

O que é a Hipertensão Arterial Sistêmica? 

A Hipertensão arterial (HA) é condição clínica multifatorial. Caracteriza-se pela elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg.

Por que realizar o rastreamento da Hipertensão Arterial Sistêmica na farmácia? 

Segundo o Conselho Federal de Farmácia,  o Rastreamento em Saúde visa a identificação provável de doença ou condição de saúde não identificada, pela aplicação de testes, exames ou outros procedimentos que possam ser realizados rapidamente, com subsequente orientação e encaminhamento do paciente aos serviços de saúde para diagnóstico e tratamento.

A hipertensão arterial sistêmica é um exemplo de condição que pode ser rastreada na farmácia.

Segundo o Ministério da Saúde, um em cada quatro brasileiros adultos dizem ter diagnóstico médico de hipertensão. Esta condição atinge principalmente indivíduos idosos, que estão entre os maiores frequentadores de farmácias.

Oferecer o serviço de aferição da PA é uma excelente oportunidade para divulgar seus outros serviços farmacêuticos e, assim, tornar o seu paciente um frequentador assíduo do seu estabelecimento.

Quem deve fazer o rastreamento da PA? 

O rastreamento é recomendado para adultos (acima de 18 anos) sem o conhecimento de que sejam hipertensos.

Caso o paciente possua diagnóstico prévio de hipertensão, você deve seguir o protocolo de avaliação do paciente com hipertensão, ou seja, avaliar se o paciente apresenta sintomas como dor no peito com evolução progressiva, dor de cabeça associada a alterações na fala, confusão e agitação motora, entre outros. Faça a avaliação e encaminhe o paciente para atendimento médico, caso necessário.

Quais são os fatores de risco? 

Idade – Existe uma relação direta e linear entre o envelhecimento e a prevalência de hipertensão arterial.

Sexo e etnia – De acordo com o último levantamento do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) de 2018, no conjunto das 27 cidades avaliadas, a frequência de diagnóstico médico de hipertensão arterial foi de 24,7%, sendo maior entre mulheres (27,0%) do que entre homens (22,1%). No estudo Corações do Brasil observou-se a seguinte distribuição:  11,1% na população indígena; 10% na amarela; 26,3% na parda; 29,4% na branca e 34,8% na negra.

Excesso de peso e obesidade – O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco importantes para a PA. Estima-se que, no Brasil, 38,8 milhões de pessoas com 20 anos ou mais de idade estejam com sobrepeso, o que corresponde a 40,6% da população nessa faixa etária. Destes, 10,5 milhões são obesos.

Ingestão de sal – O consumo de sal em excesso é um dos principais fatores de risco para a hipertensão arterial.

Ingestão de álcool – O consumo crônico e elevado de bebidas alcoólicas aumenta a PA de forma consistente.

Sedentarismo – O sedentarismo é um dos fatores que contribuem para a elevação da pressão arterial, além de estar relacionado a outras condições que agravam a HA como diabetes, obesidade e dislipidemia.

Fatores socioeconômicos – Adultos com menor nível de escolaridade apresentaram a maior prevalência de HA autorreferida (31,1%).

Atendimento: quais são os insumos necessários?  

  • Aparelho digital validado para medir a pressão arterial (braço). Seguir Portaria do INMETRO e verificar a calibração de 6 em 6 meses nos laboratórios indicados pelo INMETRO. Os aparelhos utilizados devem estar sempre devidamente verificados e calibrados.
  • Manguitos;
  • Fita métrica.

Como deve ser o local? 

Para realizar o serviço de aferição da pressão seu estabelecimento deve apresentar um local:

  • Calmo, confortável, silencioso e com cadeiras para repouso do paciente;
  • Planejado para não interferir no efeito do avental branco.

Como posicionar o paciente? 

Antes de iniciar a medida, o paciente deve permanecer sentado, em repouso por 5 minutos. Explique como será feito o procedimento. O paciente deve ser instruído a permanecer em silêncio durante a medida.

Certifique-se de que o paciente:

  • Não está com a bexiga cheia;
  • Não praticou atividade física há pelo menos meia hora;
  • Não ingeriu bebida alcoólica, café ou alimentos;
  • Não fumou nos 30 minutos anteriores.

Orientações: 

  • O paciente deve permanecer sentado, com encosto para as costas, pés no chão descruzados e apoiados no chão;
  • O braço deve ficar posicionado na altura do coração, apoiado, com a palma da mão para cima;
  • Observe se as roupas não estão garroteando o braço. Se sim, remover;
  • Pacientes suspeitos de hipotensão ortostática (como pessoas com diabetes, em uso de anti-hipertensivos e aqueles com sintomas de pressão baixa), devem medir a pressão em pé, após 3 minutos da medida da pressão sentado;
  • Quando há impossibilidade de medir nos braços, medir nos membros inferiores.

Como realizar a aferição da pressão? 

1. Avaliar a circunferência do braço e selecionar o manguito de tamanho adequado.

2. Colocar o manguito, sem deixar folgas, 2 a 3 cm acima da fossa cubital (cotovelo).

3. Centralizar o meio da parte compressiva do manguito sobre a artéria braquial.

4. Estimar o nível da pressão sistólica pela palpação do pulso radial. O seu reaparecimento corresponderá à PA sistólica.

5. Palpar a artéria braquial na fossa cubital e colocar a campânula ou o diafragma do estetoscópio sem compressão excessiva.

6. Inflar rapidamente até ultrapassar 20 a 30 mmHg o nível estimado da pressão sistólica, obtido pela palpação.

7. Proceder à deflação lentamente (velocidade de 2 mmHg por segundo).

8. Determinar a pressão sistólica pela ausculta do primeiro som, que é em geral fraco seguido de batidas regulares, e, após, aumentar ligeiramente a velocidade de deflação.

9. Determinar a pressão diastólica no desaparecimento dos sons.

10. Auscultar cerca de 20 a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa.

11. Sugere-se esperar em torno de um minuto para nova medida

12. Informar os valores de pressões arteriais obtidos para o paciente.

13. Anotar os valores exatos sem “arredondamentos” e o braço em que a pressão arterial foi medida.

Obs. No caso de uso de equipamento automático, siga as instruções do fabricante.

Correr, Cassyano Januário Manual 1: hipertensão em dia. Disponível em: <https://www.assistenciafarmaceutica.far.br/publicacoes/>. Acesso em: 03 de Jan. 2020.

Frequência e interpretação dos resultados 

De acordo com a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, recomenda-se, no mínimo, a medição da PA a cada dois anos para os adultos com PA ≤ 120/80 mmHg, e anualmente para aqueles com PA > 120/80 mmHg e < 140/90 mmHg.

As tabelas a seguir, disponíveis no Manual de Serviços Farmacêuticos da Abrafarma, apresentam as frequências e as orientações recomendadas para cada caso.

Pressão arterial (mmHg) PA ≤ 120/80 PA > 120/80 PAD > 120
Valores normais Se > 120/80 – valores condizentes com pré-hipertensão

Se ≥ 140/90 – valores condizentes com hipertensão

Valores condizentes com urgência, ou emergência hipertensiva
Frequência Verificar novamente em 1 ano ou menos Paciente deve monitorar a pressão Encaminhe o paciente imediatamente ao pronto atendimento
Orientações e encaminhamentos MEV e prevenção da hipertensão Investigar medicamentos que podem elevar a pressão arterial. Encaminhe o paciente ao médico.
Frequência cardíaca
FC ≥ 60 FC 60-100 FC > 100
Braquicardia FC normal Taquicardia
Recomende nova avaliação em um dia diferente e encaminhe o paciente ao médico caso os sintomas persistam. Faça a investigação dos sintomas e medicamentos que podem reduzir a FC Verifique novamente em um ano ou menos Recomende nova avaliação em um dia diferente e encaminhe o paciente ao médico caso os sintomas persistam. Faça a investigação dos sintomas e medicamentos que podem reduzir a FC.

Caso o paciente seja sintomático ou FC > 125 bpm, encaminhar ao pronto atendimento.

Como é feito o diagnóstico? 

A hipertensão arterial é diagnosticada por meio da detecção de níveis elevados e sustentados de pressão arterial em medida casual. Níveis iguais ou superiores a 140/90 mmHg são considerados elevados.

Após realizar a aferição da pressão no seu paciente, oriente-o em relação à frequência do exame e fique atento aos resultados. Faça os encaminhamentos necessários.

Além disso, você pode aproveitar este momento para oferecer outros serviços farmacêuticos, como os Testes Laboratoriais Remotos: Perfil Lipídico, Hemoglobina Glicada e Glicemia são apenas alguns exemplos.

Como orientar o paciente após a aferição da pressão? 

Pessoas com pressão alta devem seguir uma dieta especial, limitando a ingestão de sódio. Também devem consumir maior quantidade de frutas, verduras e legumes, o que contribuirá para o controle da pressão arterial.

Não deixe de falar sobre Alimentação Cardioprotetora, que propõe uma alimentação saudável e adequada para prevenir doenças cardiovasculares.

Segundo o Ministério da Saúde, a Alimentação Cardioprotetora Brasileira pode ser feita por qualquer pessoa, no entanto é indicada especialmente para indivíduos com:

  • Excesso de peso ou obesidade;
  • Pressão alta;
  • Diabetes;
  • Colesterol alto;
  • Triglicérides alto;
  • Histórico de infarto e cirurgia do coração (pontes safena ou mamária);
  • Histórico de derrame cerebral (AVC).

Gostou de saber mais sobre a aferição da pressão arterial na farmácia? Já oferece serviços clínicos na sua farmácia? Deixe sua resposta nos comentários! 

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Somos especialistas em Point-of-Care Testing. Criamos dispositivos para exames PoCT, realizados com apenas algumas gotas de sangue e resultados entregues em poucos minutos. Nosso propósito é democratizar o acesso à saúde.

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