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Teste de farmácia para COVID-19 é confiável? Entenda a polêmica do teste da Luisa Mell

Recentemente, a ativista em defesa dos animais Luisa Mell, usou as suas redes sociais para informar que está novamente com COVID-19. De acordo com o relato publicado nos portais, Luisa realizou dois exames e teve resultados divergentes. Entenda a polêmica.
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Recentemente, a ativista em defesa dos animais Luisa Mell, usou as suas redes sociais para informar que está novamente com COVID-19. A notícia foi divulgada em vários portais da internet. Luisa, que já teve a doença em março de 2020, relatou sintomas de dor no corpo, tosse e cansaço. 

De acordo com o relato publicado nos portais, a ativista procurou uma farmácia para realizar um exame de sangue, no entanto, teve um resultado negativo (não reagente).

Por estar apresentando sintomas, Luisa realizou um novo exame (desta vez o RT-PCR) e ficou surpresa ao ver o resultado positivo (reagente), divergente do resultado do primeiro exame. 

Isso quer dizer que os exames realizados em farmácias são ruins? Ela realizou o primeiro exame no período errado? Uma pessoa pode dizer que não está com COVID-19, mesmo com o resultado negativo e apesar de estar com sintomas? Todos os exames laboratoriais, independentemente da metodologia, são isentos de erros? Estas e outras dúvidas serão esclarecidas no artigo a seguir. Confira!

O diagnóstico da COVID-19 pode ser definido somente com base no resultado de um exame? 

Todo exame laboratorial, seja ele de farmácia ou de um laboratório convencional apresenta falsos positivos e falsos negativos. No caso da Luisa, o resultado do primeiro exame foi um “falso negativo”, ou seja, o resultado apontou ausência de doença apesar da Luisa estar com COVID-19. 

Este resultado incorreto pode ter sido resultante de uma característica do próprio teste, visto que todo exame apresenta uma taxa de falsos negativos. No entanto, é possível também que o exame realizado não tenha sido o mais adequado para aquele período da infecção. Isso porque, cada um dos exames disponíveis para auxiliar no diagnóstico da COVID-19 apresenta um período ideal de realização. Veja a seguir: 

Exame de RT-PCR

RT-PCR é a sigla para transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase. Esse teste detecta o RNA do SARS-CoV-2. A técnica é de alta especificidade e sensibilidade e detecta o vírus antes mesmo de ele começar a se multiplicar. 

É recomendável que o teste seja realizado entre o 1º e 7º dias de sintomas, preferencialmente. Neste período, a carga viral é maior. Esse teste é o recomendado para confirmar o diagnóstico atual de COVID-19 em pacientes com suspeita clínica.

Exame de Antígeno 

O exame de antígeno detecta o antígeno viral do SARS-CoV-2 (proteína do nucleocapsídeo do vírus) e está disponível em farmácias, hospitais, laboratórios e clínicas. Assim como o exame de RT-PCR utiliza como amostra uma secreção da nasofaringe, coletada com um cotonete longo, o swab nasofaríngeo. No entanto, o resultado deste exame fica disponível em alguns minutos após a coleta.

O teste de antígeno é indicado para o início da infecção. O exame de antígeno da Hilab, por exemplo, é indicado a partir do 7º ao 10º dia após exposição/contato (idealmente no 7º dia) ou a partir do 1º até o 7º dia do início dos sintomas. Fora desse período, a titulação de antígenos pode ser muito baixa para ser detectada pelo exame.

Este exame possui alta correlação com o período de transmissibilidade da doença e pode ser realizado em farmácias. Por isso é muito relevante para fins de isolamento, bem como para investigação de contatos.

Exame de Sorologia IgM e IgG 

O exame de sorologia detecta os anticorpos IgM e IgG que são produzidos pelo sistema imunológico após o contato com o vírus. O exame é indicado a partir do 7º dia do início dos sintomas e apresenta sensibilidade máxima quando realizado 20 dias após exposição/contato ou 21 dias após o início dos sintomas. 

Este exame é vendido em muitas farmácias e utiliza como amostra uma pequena gota de sangue da ponta do dedo. 

Como o exame detecta anticorpos, é preciso estar atento para a data de início dos sintomas. Caso a pessoa esteja com suspeita da doença e realize este exame em um período inferior ao indicado, antes dos 20 dias após a exposição/contato, o resultado pode ser um “falso negativo”. Ou seja, o paciente pode estar infectado com o vírus mas o resultado será negativo. Isso ocorre por não haver quantidades suficientes de anticorpos nesse período. 

Segundo o Telessaúde MS, a função do teste rápido é avaliar o estado imunológico do paciente frente ao SARS-CoV-2, uma vez que a presença de anticorpos sugere exposição anterior ao vírus. Por este motivo, o teste rápido de sorologia não deve ser usado para confirmar o diagnóstico atual de COVID-19.

Fiz um exame na farmácia, o resultado foi negativo, mas ainda estou com sintomas. Posso dizer que não estou com COVID-19? 

Somente um médico pode diagnosticar a COVID-19. Um resultado negativo não é suficiente para afirmar que você não está com a doença quando você está apresentando sintomas. É por este motivo que, ao realizar qualquer exame, você deve levá-lo ao seu médico. 

Além disso, segundo especialistas, não está recomendada a realização de RT-PCR ou teste rápido para suspensão do isolamento domiciliar. Segundo o médico infectologista Dr. Bernardo Almeida, a suspensão do isolamento domiciliar pode ocorrer após 10 dias do início dos sintomas ou da data do teste, no caso de caso assintomático. Para casos moderados/graves e imunossuprimidos, esse período aumenta para 20 dias. 

“Qualquer sintoma respiratório deve ser encarado como possível COVID-19. Para cada fase da infecção há diferentes tipos de testes que devem ou não ser utilizados para fins de investigação. As farmácias têm sido fundamentais para aproximar o acesso dos testes à população e, ainda assim, estamos aquém do que é necessário.”, complementa. 

Gostou do conteúdo? Para tirar outras dúvidas a respeito dos exames laboratoriais, siga o Hilab no Instagram. 

Telessaúde MS. Quando deve ser feito o teste rápido para a Covid-19? E o RT-PCR? Disponível em: <https://telessaude.saude.ms.gov.br/?p=5072>. Acesso em: 05 de maio de 2021. 

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