Como age a vacina contra o HIV, o vírus causador da AIDS?

Atualmente, o tratamento para o HIV é baseado na TARV (Terapia Antirretroviral), na qual a pessoa convivendo com HIV  faz uso de 3 medicamentos ao dia, que inibem a replicação do vírus no organismo.

Apesar de impedir a reprodução do HIV, a terapia faz com que o vírus “esconda-se” nas células do hospedeiro, mas não os mata. Portanto, caso o paciente deixe de realizar o tratamento, o HIV volta a reproduzir-se e trazer riscos à pessoa vivendo com HIV.

Devido a este motivo, a prevenção – com o uso de preservativos nas relações sexuais e com o tratamento das pessoas vivendo com HIV – ainda é a melhor maneira de combater o vírus.

Pode ser que, em breve, também seja possível prevenir o HIV com o uso de vacinas. Algumas destas, atualmente em desenvolvimento, funcionam de dois modos diferentes. O primeiro é a sensibilização do organismo contra o vírus, fazendo com que o sistema imunológico produza anticorpos contra o HIV. Enquanto o segundo age diretamente nas células do hospedeiro, retirando o vírus do interior destas e o destruindo em seguida.

Desta forma, as vacinas para o HIV funcionariam tanto como método preventivo, impedindo a infecção, quanto como tratamento, matando o vírus presente no organismo do paciente.

Acompanhe o artigo a seguir e saiba mais sobre essas vacinas.

Como agem as vacinas?

As vacinas agem estimulando o corpo a produzir anticorpos. A vacina de gripe, por exemplo, utiliza fragmentos do vírus Influenza, além do vírus inativado, a fim de que o organismo desenvolva anticorpos contra as proteínas presentes na cápsula do patógeno.

Todo ano, uma nova dose desta vacina deve ser administrada, pois o vírus Influenza é altamente mutagênico, ou seja, seu DNA e suas proteínas sofrem mudanças todo ano.

Este fato faz com que os anticorpos desenvolvidos não sejam úteis no combate aos vírus do ano seguinte. Esta característica não é exclusiva do vírus da gripe, o mesmo acontece com o HIV, porém este não é um vírus sazonal, como a Influenza, e está constantemente sofrendo mutações.

A vacina para o HIV

Ainda não existe uma vacina eficaz para o HIV, entretanto, desde 1987, mais de 30 já foram testadas em humanos. Abordagens que obtiveram sucesso com outros vírus não demonstraram a mesma eficácia com o HIV, aumentando o risco de infecção por este em alguns casos.

Outro desafio a ser enfrentado é o de que o vírus está dividido em subtipos, que predominam em diferentes áreas do mundo.

A vacina deverá ser eficaz contra todos esses subtipos, ou diferentes vacinas deverão ser desenvolvidas para os diversos subtipos do vírus.

Atualmente existem duas vacinas em desenvolvimento que merecem destaque, elas são a Mosaico e a “Kick and Kill”.

Mosaico

Esta vacina contém um vírus inativado do resfriado, que carrega em seu interior três genes sintéticos do HIV. Estes genes são baseados em sequências genéticas de cepas de HIV encontradas em diversas regiões do mundo.

Além desses, o vírus também leva consigo duas proteínas sintéticas a fim de impulsionar a produção de anticorpos pelo organismo.

A vacina preventiva contra o HIV é administrada em quatro doses no período de um ano. Utilizando o adenovírus, a vacinação inocula um mosaico de antígenos do HIV, além de uma combinação de duas proteínas do vírus, estimulando o sistema imune do paciente.

A Mosaico será administrada em 3.800 homens transgênero, homens que fazem sexo com outros homens e transexuais, com idades entre 18 e 60 anos. Serão 24 centros de estudo nos EUA, nove no Brasil, cinco no Peru, quatro na Argentina e três no México. Na Europa estão na lista a Espanha, Itália e Polônia. As inscrições devem começar já em setembro.

A equipe Mosaico espera que sua vacina proteja, pelo menos, 65% dos participantes do estudo. Os resultados devem ser obtidos até 2023.

Kick and Kill

Esta outra abordagem visa não apenas a proteção do paciente contra uma possível infecção, mas, também, a destruição de vírus “escondidos” dentro de células daqueles já infectados.

Como falado anteriormente, o TARV não é capaz de matar o HIV que se esconde no organismo, aí entraria a vacina “Kick and Kill”.

Utilizando o Citomegalovírus, pesquisadores foram capazes de expulsar o HIV latente no interior das células de  pessoas que vivem com HIV e sensibilizar células de defesa do organismo que mataram o vírus.

Quais os métodos de prevenção disponíveis atualmente?

O método preventivo mais conhecido e também o mais eficaz, continua sendo o uso de preservativo.

A camisinha impede o contato de fluídos corporais infectados entre as parcerias sexuais, dificultando a entrada do vírus no organismo. Pode ser utilizado, também, o lubrificante a base d’água, a fim de reduzir as lesões à mucosa vaginal e anal, que facilitam a penetração do HIV na corrente sanguínea.

A PEP (Profilaxia pré-exposição) e a PrEP (Profilaxia pós-exposição) são métodos no qual a pessoa utiliza a TARV como prevenção, tanto antes de uma exposição de risco (PrEP) quanto após (PEP).

Como vimos, as vacinas contra o HIV funcionariam tanto como método preventivo quanto como tratamento, matando o vírus presente no organismo do indivíduo.

O exame de HIV é outro aliado no combate à transmissão. Saber da situação sorológica é essencial para evitar outras infecções. Quando o paciente conhece seu estado, pode dar início à TARV e, assim, prevenir o contágio a terceiros.

A Situação do HIV no Brasil

No Brasil, existem cerca de 827.000 pessoas vivendo com HIV, de acordo com a UNAIDS.

Destas, aproximadamente 715.000 (86%) possuem o diagnóstico, ou seja, 112.000 pessoas convivem com o vírus, mas não têm consciência disso.

Deste total, 455.000 (55%) estão realizando o tratamento para o HIV (terapia antirretroviral – TARV) e 410.000 (50%) possuem carga viral indetectável, não transmitindo mais a doença.

Segundo acordo firmado pelo Brasil, e diversos outros países, com a UNAIDS, a meta a ser atingida, até 2020, é de 90% em todas as categorias acima.

Referências Bibliográficas

AIDSmap. The search for an HIV prevention vaccine. Disponível em:<https://www.aidsmap.com/about-hiv/search-hiv-prevention-vaccine>. Acesso em: 03 de setembro de 2019.

Medical News Today. New HIV vaccine could expose latent virus and kill it. Disponível em:

<https://www.medicalnewstoday.com/articles/324923.php>. Acesso em: 30 de agosto de 2019.

Ebiomedicine. Type 1-programmed dendritic cells drive antigen-specific latency reversal and immune elimination of persistent HIV-1. Disponível em:<https://www.ebiomedicine.com/article/S2352-3964(19)30222-1/fulltext>. Acesso em: 30 de agosto de 2019.

Nature. ‘Mosaic’ HIV vaccine to be tested in thousands of people across the world. Disponível em:<https://www.nature.com/articles/d41586-019-02319-8>. Acesso em: 03 de setembro de 2019.

WHO. HIV vaccine development. Disponível em:

<https://www.who.int/immunization/research/development/hiv_vaccdev/en/>. Acesso em: 03 de setembro de 2019.

UNAIDS. 90-90-90: Uma meta ambiciosa de tratamento para contribuir para o fim da epidemia de AIDS. Disponível em: <https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/11/2015_11_20_UNAIDS_TRATAMENTO_META_PT_v4_GB.pdf>.

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