O que é carga viral indetectável?

Ao longo dos anos, o tratamento antirretroviral tem se mostrado altamente eficaz. Por este motivo, hoje, a maior parte das pessoas que vivem com HIV e seguem o tratamento adequado, conseguem atingir a chamada “carga viral indetectável”.

Isso significa que o tratamento é capaz de reduzir a quantidade de HIV no sangue para níveis que não são detectáveis por testes laboratoriais padrão.

Mas o que isso significa? Acompanhe o artigo a seguir e descubra.

O que é a carga viral indetectável? 

Carga viral é um termo que utilizamos para descrever a quantidade de HIV que existe no sangue de uma pessoa.

Como o HIV é um vírus que afeta o sistema imunológico, que é responsável por defender o organismo de doenças, quanto maior a carga viral (quantidade de vírus no corpo) maior será o comprometimento desse sistema.

Quando uma pessoa vivendo com HIV segue o tratamento com os medicamentos antirretrovirais, a carga viral torna-se tão baixa que não é detectada pelo exame de carga viral.

Qual a importância da carga viral indetectável para as pessoas vivendo com HIV? 

Uma pessoa vivendo com HIV e com carga viral indetectável não transmite o HIV sexualmente. Foi assim que surgiu o termo “indetectável = intransmissível”.

O termo é válido desde que as pessoas vivendo com HIV estejam com carga viral do HIV indetectável há pelo menos seis meses.

Como isso foi descoberto? 

Entre os anos de 2007 e 2016, foram realizados três grandes estudos envolvendo a transmissão sexual do HIV. Esses estudos foram realizados com milhares de casais.

Cada casal era formado por uma pessoa vivendo com HIV (mas com carga viral indetectável) e uma pessoa soronegativa (sem HIV).

Os estudos mostraram que não houve transmissão sexual do HIV.

O que isso significa? 

O tratamento antirretroviral (tratamento do HIV), permite às pessoas que vivem com o vírus levar uma vida saudável.

Hoje, uma pessoa com HIV, que segue o tratamento adequado, pode viver tanto tempo quanto uma pessoa que não tem o vírus. A longevidade é muito semelhante.

Segundo o Unaids “com a escolha certa de medicamentos antirretrovirais, os níveis virais cairão ao longo de vários meses para níveis indetectáveis e permitirão que o sistema imunológico comece a se recuperar”.

O acesso ao tratamento antirretroviral é essencial para que as pessoas que têm o vírus tenham qualidade de vida.

Quanto tempo uma pessoa vivendo com HIV deve tomar o medicamento para atingir a carga viral indetectável? 

Não há uma resposta definitiva para essa pergunta. Uma pessoa só pode saber se tem carga viral indetectável fazendo o teste de carga viral.

O conceito indetectável = intransmissível vale também para a amamentação? 

Mesmo que a mãe esteja com a carga viral indetectável, o vírus pode ser transmitido durante a amamentação.

Por isso, a mãe que vive com HIV, além de fazer o tratamento para o HIV, deve fazer também um tratamento para inibir a lactação (disponível no Sistema Único de Saúde – SUS).

O bebê deve ser alimentado com fórmula láctea, também distribuído pelo SUS.

Indetectável = Intransmissível: entenda

 

O impacto do tratamento para todas as pessoas 

O tratamento para todas as pessoas faz parte de um conjunto de estratégias denominada “prevenção combinada”.

No Brasil, todas as pessoas diagnosticadas com o HIV têm o direito de receber o tratamento antirretroviral (TARV) gratuitamente.

O tratamento, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da pessoa que vive com o HIV, reduz a transmissão do vírus, além de diminuir a mortalidade.

Como vimos, os medicamentos antirretrovirais reduzem a quantidade de vírus circulante no organismo da pessoa que vive com HIV, fazendo com que ela alcance a “carga viral indetectável”.

A pessoa que atinge a carga viral indetectável tem uma chance insignificante de transmitir o vírus para outra pessoa em relações sexuais desprotegidas.

Além disso, a adesão ao tratamento, ou seja, o uso regular e correto da medicação reduz o número de infecções por doenças oportunistas.

Quantos casos de HIV existem hoje? 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até hoje, mais de 70 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV.

Cerca de 37 milhões de pessoas no mundo vivem com o vírus, sendo que 22 milhões estão em tratamento.

No Brasil, segundo o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de 2018, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791 casos de Aids. Lembre- se, que ter HIV não é o mesmo que ter Aids.

Desde o ano de 2012, observa-se uma diminuição na taxa de detecção de aids no Brasil, redução que tem sido mais acentuada desde a recomendação “tratamento para todos”, implementada em 2013.

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Referências Bibliográficas:

Ministério da Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. DIAHV atualiza informações sobre o conceito Indetectável = Intransmissível. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/noticias/diahv-atualiza-informacoes-sobre-o-conceito-indetectavel-intransmissivel>. Acesso em: 19 de junho de 2019.

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico. HIV/Aids 2018. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/boletim-epidemiologico-hivaids-2018>. Acesso em: 19 de junho de 2019.

ONU News. OMS: 75% das pessoas que vivem com HIV sabem que estão infetadas. Disponível em: <https://news.un.org/pt/story/2018/11/1649811>. Acesso em: 18 de junho de 2019.

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Micheli Pecharki

Micheli Pecharki

Micheli é Bióloga e coordenadora de conteúdos na Hilab. Acredita que transformar o conhecimento técnico em algo acessível é essencial para que as pessoas saibam como cuidar mais da própria saúde e vivam, assim, com mais qualidade de vida. É apaixonada por cachorros e escrever e nas horas vagas gosta de estar em contato com a natureza.

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