Vacina do HPV: para que serve e quem pode tomar o imunizante?

Garota exibindo marca de vacina do HPV

Embora muito se fale sobre a AIDS, existe uma infecção sexualmente transmissível (IST) muito mais comum, que pode causar desde verrugas na região genitais e até mesmo câncer de colo do útero. Estamos falando do HPV, infecção que pode ter atingido metade da população masculina do mundo e quase o mesmo índice de mulheres – e cujo contágio pode ser evitado com vacina HPV.

O que é HPV?

Antes de falarmos da vacina, porém, precisamos entender o que é o HPV e como ele é transmitido. A começar pela sigla: HPV vem do inglês human papilloma virus, ou papilomavírus humano, em português. Existem mais de 100 tipos de papilomavírus diferentes, e pelo menos 40% deles afetam o trato ano-genital.

Na maior parte dos casos, a infecção se dá por meio da relação sexual sem proteção com uma pessoa infectada. O contágio pode ocorrer mesmo que não haja penetração: o contato com a pele ou mucosa da pessoa infectada já basta. isso quer dizer que contato oral ou até mesmo manual com a região genital pode ser o suficiente para que haja transmissão.

O HPV também pode ser transmitido da mãe para o bebê durante o parto (o que é raro). Ainda não há comprovação clínica de transmissão por objetos compartilhados (toalhas e roupas íntimas, por exemplo), nem por meio de assentos de vaso sanitário ou piscinas.

Tanto homens quanto mulheres podem pegar e transmitir o vírus do HPV. Como em muitos casos a doença é assintomática, a pessoa pode estar contaminada sem ter consciência disso – o que é um risco, especialmente em caso de troca frequente de parceiros sexuais.

Entre os sintomas mais comuns do HPV, está o surgimento de verrugas (que podem ser de vários tamanhos, inclusive microscópicas) em toda a região genital, bem como ardência e coceira na área afetada. O HPV também pode se manifestar na boca; neste caso, as verrugas podem surgir nas bochechas, lábios, língua e até na garganta.

O maior risco do HPV, no entanto, é que certas variantes do vírus são oncogênicas, ou seja, podem causar câncer. O câncer de colo de útero, os cânceres genitais e o câncer orofaríngeo são alguns tipos que podem ser causados pelo HPV. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam que os tipos 16 e 18 do vírus estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero.

Para entender um pouco mais sobre essa doença, bem como seus sintomas, confira o vídeo que preparamos sobre o tema:

 

Para que serve a vacina contra HPV?

Como todo imunizante, a vacina HPV tem o intuito de prevenir a doença causada por este vírus, e também protege contra as lesões potencialmente pré-cancerosas que são decorrentes dela.

Atualmente, existem dois tipos de vacinas contra o HPV sendo aplicadas no Brasil, ambas aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma delas é a vacina quadrivalente (nome comercial Gardasil), produzida pela empresa norte-americana Merck Sharp & Dohme, que protege contra os quatro tipos mais comuns do HPV – as variações 6, 11, 16 e 18 do vírus.

O outro imunizante contra HPV protocolado pela Anvisa é fabricado pelo laboratório britânico GlaxoSmithKline. É uma vacina bivalente, chamada assim porque protege contra duas versões do vírus: o HPV 16 e o 18. Comercialmente, o imunizante é chamado de Cervarix.

Após a aplicação da vacina (que é injetável), o corpo passa a produzir os anticorpos necessários para combater o vírus. Caso a pessoa venha a ser infectada no futuro, seu sistema imunológico entrará em ação, liberando os anticorpos que impedirão que o vírus se estabeleça e que a doença se manifeste.

Quem tem que tomar a vacina contra o HPV?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam que tanto meninas quanto meninos tomem o imunizante preferencialmente antes de iniciarem sua vida sexual – e, consequentemente, de terem possível contato com o vírus.

Isso engloba meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Nesta faixa etária, são indicadas duas doses para ambos os sexos, com um intervalo máximo de seis meses entre uma dose e outra.

Pessoas soropositivas (portadoras do vírus da AIDS) têm uma margem etária maior para buscarem a imunização, podendo se vacinar dos 9 aos 26 anos. Como o HIV afeta o sistema imunológico, neste caso o esquema vacinal é de três doses, com intervalo de 0, 2 e 6 meses entre as aplicações.

Qual é a idade máxima para tomar a vacina contra o HPV?

Como vimos, o ideal é que pessoas de ambos os sexos tomem a vacina antes de começarem a ter relações sexuais. Porém, nem sempre é isso que acontece, de modo que os imunizantes podem ser administrados posteriormente, em homens e mulheres jovens ou adultos.

Isso vale especialmente para indivíduos imunossuprimidos, uma vez que a deficiência imunológica é reconhecida como um dos principais fatores de risco para infecção pelo HPV e para o desenvolvimento de verrugas genitais e possíveis tumores. Nestes casos, o Ministério da Saúde indica a vacinação contra HPV para mulheres e homens imunossuprimidos até os 26 anos de idade.

Em março de 2021, o Ministério da Saúde ampliou ainda mais o quadro: agora, mulheres imunossuprimidas de até 45 anos podem receber o imunizante contra o HPV. Para os homens, a idade máxima continua sendo de 26 anos.

Com isso, espera-se uma redução nos casos, principalmente, dos números do câncer de colo do útero. Segundo o INCA, este é o quarto tipo de câncer mais comum em mulheres no país: em 2020, foram mais de 16 mil novos casos. 

Onde encontrar a vacina contra HPV? 

Não tem segredo: o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina HPV quadrivalente gratuitamente para a população. Basta a pessoa ir até a unidade de saúde mais próxima para se proteger.

Clínicas particulares também oferecem imunização contra o HPV, mas o valor da aplicação pode variar, bem como o tipo de vacina utilizada – o paciente pode escolher se quer receber a vacina HPV Gardasil ou a Cervarix.

Na rede pública, são priorizados meninos e meninas de 9 a 14 anos, ou homens e mulheres até 26 anos que sejam portadores de HIV, transplantados ou estejam em tratamento de câncer. Nas redes de saúde suplementar, podem se vacinar mulheres de 9 a 45 anos de idade e homens dos 9 aos 26 anos.

Desde 2014 a vacina HPV faz parte do Calendário Nacional de Imunização, do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Campanhas de vacinação são organizadas esporadicamente, com ações de conscientização e imunização em escolas. 

Importância da prevenção

Como em praticamente qualquer outra enfermidade que possa ser evitada, a prevenção é a melhor maneira de garantir saúde e qualidade de vida. A vacina HPV é uma das formas de se prevenir, mas não é a única: também há exames preventivos que podem ser realizados, e o cuidado na hora do sexo também é fundamental.

O preservativo – masculino ou feminino – reduz as chances da infecção, mas não completamente: como as lesões podem se manifestar em áreas que ficam de fora do preservativo (saco escrotal, períneo e região pubiana, por exemplo), o contato físico pode acabar resultando em contaminação. 

Deste, modo, embora o preservativo nunca deva ser ignorado – pois protege de diversas outras ISTs -, a melhor maneira de evitar o HPV propriamente dito se dá por meio da vacinação, acompanhada de exames preventivos regulares.

Os exames preventivos para HPV

O exame clínico realizado por um infectologista, ginecologista ou urologista é o primeiro dos exames preventivos recomendados para diagnosticar a HPV em ambos os sexos. O especialista observa a região genital do paciente com o objetivo de identificar a presença de lesões ou verrugas que indiquem a presença do vírus. Um exame sorológico também pode ser solicitado, para determinar se há anticorpos contra o vírus HPV presentes no sangue. 

Para as mulheres, o exame ginecológico de Papanicolau também pode ajudar a identificar indícios de HPV. O exame consiste em uma coleta de secreção do colo do útero e da  vagina, a fim de descobrir possíveis células anormais. 

Já para os homens, o exame recomendado é a peniscopia – muito útil para detectar lesões ou alterações cutâneas imperceptíveis a olho nu. A peniscopia é indolor, e pode auxiliar no diagnóstico não apenas do HPV, mas também de candidíase e herpes.

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