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Transmissão da COVID em escolas: intercalar a frequência de alunos garante a redução da transmissão?

É possível retomar as aulas presenciais com segurança sem aumentar a transmissão da Covid em escolas? Saiba o que dizem os estudos.
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Um dos setores da sociedade que mais foi impactado pela pandemia do coronavírus foi o da educação. De um dia para o outro, salas de aula foram fechadas no Brasil e no mundo, e os professores tiveram que deixar o quadro negro para trás e aprender a ministrar aulas na frente de uma webcam, smartphone ou notebook. Tudo para evitar a transmissão da Covid em escolas.

Embora os alunos tenham feito sua parte, acompanhando a transmissão das aulas através do computador, smartphone ou de canais de TV regionais que, em alguns estados, foram usados para facilitar o acesso às aulas, a verdade é que especialistas acreditam que este período conturbado poderá ter efeitos “graves e duradouros” na educação das crianças, especialmente em regiões que já apresentavam problemas, como é o caso da América Latina.

Um preocupante estudo do Banco Mundial aponta um indicador de algo que é conhecido como “pobreza de aprendizagem”. Este índice diz respeito a crianças com menos de 10 anos que são incapazes de ler e compreender um texto simples – habilidade que é perdida caso o processo de alfabetização seja falho.

Em condições normais, sem pandemia, o índice brasileiro de “pobreza de aprendizagem” já é alto: cerca de 50%. Sem as aulas presenciais e o acompanhamento pedagógico adequado, este número pode saltar para 70%. Este é um problema que atrapalha o presente, mas impacta principalmente o futuro dessas crianças. Um indivíduo que cresce sem saber interpretar um texto corretamente sem dúvida terá muitos problemas na hora de encarar o ENEM, o vestibular e as entrevistas de emprego.

A Unicef acredita que o ensino no Brasil pode regredir duas décadas por conta da pandemia. Em novembro de 2020, o país tinha cerca de 5,1 milhões de meninas e meninos sem acesso à educação. Mais de 40% deles eram crianças de 6 a 10 anos, época em que deveriam ser consolidados os conceitos mais importantes de alfabetização, matemática e conhecimentos gerais.

Para piorar, a pandemia ainda está longe de acabar, especialmente aqui no Brasil, visto que o país nunca adotou uma estratégia de testagem adequada, e a vacinação segue em ritmo lento e inconstante.

Com a falta de uma diretriz de abrangência nacional sobre o assunto, estados e municípios estão conduzindo seus próprios protocolos de retomada das aulas presenciais. Algo que pode acabar deixando pais, professores e alunos não só confusos, mas também inseguros.

A grande questão que instituições de ensino e autoridades enfrentam é: como retomar as aulas presenciais com segurança, a fim de restabelecer metodologias de ensino mais adequadas sem aumentar a transmissão da Covid em escolas?

Estudos preveem aumento da transmissão da Covid em escolas abertas

Infelizmente, não há uma resposta simples para essa pergunta. Mas, estudos já estão sendo feitos para entender os potenciais efeitos que a volta às salas de aula teria na já delicada situação da pandemia em nosso país. Com a ajuda da tecnologia e de softwares especializados, diversos possíveis cenários podem ser simulados e analisados por especialistas.

O ModCovid19 é um grupo de pesquisa focado em projetos que ajudem no combate ao coronavírus. Utilizando o Comorbuss, que é um modelo computacional que cruza dados demográficos, socioeconômicos e epidemiológicos de uma região para simular a propagação de doenças através da chamada “dinâmica social” – as interações sociais que acontecem entre qualquer grupo de pessoas, como em uma escola, por exemplo -, um grupo de pesquisadores conduziu um estudo para quantificar o impacto da reabertura escolar durante a pandemia.

O estudo utilizou dados do município de Maragogi – Alagoas, que tem cerca de 33 mil habitantes e levou em consideração quatro possíveis cenários: 

  1. percentual de contágio com escolas fechadas.
  2. percentual de contágio com escolas abertas, operando com turmas e horários reduzidos: turno escolar de 2 horas, turmas separadas em dois grupos, com aulas presenciais em dias intercalados.
  3. percentual de contágio com profissionais de educação imunizados, turno escolar de 2 horas, turmas separadas em dois grupos, com aulas presenciais em dias intercalados.
  4. percentual de contágio com reabertura reduzida, monitoramentos e fechamentos temporários: turno escolar de 2 horas, turmas separadas em dois grupos, com aulas presenciais em dias intercalados. Além disso, neste cenário os estudantes são testados e isolados (por 14 dias) quando apresentarem sintomas ou quando um familiar testar positivo para Covid-19. Se o estudante é quem for confirmado positivo, todo seu grupo é suspenso por 14 dias. Se mais de um grupo apresentar estudantes com testes  positivos para Covid-19, a escola seria fechada por 7 dias.

Com base nos dados relevantes daquele município, o Comorbuss simulou a retomada das aulas em Maragogi nestes 4 possíveis cenários. Os resultados, infelizmente, não foram muito animadores. O cenário 1, com as escolas mantendo-se fechadas, ajuda a conter o avanço do coronavírus, mas compromete a qualidade do ensino, o que, como vimos, pode ter consequências graves para o futuro dos estudantes.

No cenário 2, o estudo demonstrou que uma reabertura sem nenhuma medida de monitoramento, mesmo com turmas e horários reduzidos, poderia aumentar o total de alunos e profissionais de educação infectados em até 270% – isso em apenas 80 dias de funcionamento escolar! Ou seja, a redução de atividades e o rodízio de turmas não seriam suficientes para garantir uma retomada segura, sem transmissão da Covid em escolas.

Se os professores e profissionais envolvidos fossem imunizados (cenário 3), haveria uma redução no número de casos, mas isso de forma nenhuma seria suficiente para impedir a cadeia de contágio. Apenas com funcionários imunizados, o número de casos de Covid-19 nas escolas ainda aumentaria 178%. Vacinar os profissionais ajudaria, mas estaria longe de ser uma solução ideal.

Se excluirmos o cenário 1, onde as escolas continuam fechadas, o cenário 4 é o mais promissor: ao combinar monitoramento constante com horários e turmas reduzidas, eventuais afastamentos e fechamentos em caso de contaminações, teríamos um aumento de apenas 18% no número de casos.

Parece bom, mas há um grande porém: neste cenário, as escolas passariam pelo menos 40% do tempo fechadas, o que vai contra a ideia de reaproximar professores e alunos em um ambiente estudantil seguro. Assim, cada aluno teria cerca de 2,5 horas de aula presencial por semana, o que não seria suficiente para cobrir o “buraco” no sistema de ensino que foi imposto pela pandemia.

Ou seja, nos 4 cenários possíveis, temos um impasse: manter as escolas fechadas prejudica a qualidade do ensino, mas evita que haja aumento significativo no número de infectados. Reabrir as escolas sem monitoramento vai causar um aumento considerável nos índices de transmissão da Covid em escolas. Imunizar apenas os professores é uma solução paliativa, que só resolve parcialmente o problema. E, com monitoramento e medidas de contenção mais rigorosas, as escolas acabam ficando muito tempo fechadas, o que não resolve o problema do déficit educacional causado pelas aulas remotas.

A volta às aulas e a transmissão da Covid em escolas pelo mundo

Claro que não é apenas o Brasil que está de olho em formas de prevenir a transmissão da Covid em escolas. Mesmo países que já estão muito adiantados em suas campanhas de imunização estão se adequando a estes novos tempos e tendo de lidar com a doença. Desde fevereiro, cerca de 80% dos países já estão com as escolas abertas, mas houve aqueles que retomaram as aulas bem antes disso.

Dinamarca

A Dinamarca foi o primeiro país da Europa a reabrir suas escolas, que ficaram apenas um mês fechadas. Com distanciamento social, aulas sendo realizadas a céu aberto (quando possível), intervalos alternados com grupos reduzidos, lavagens de mãos obrigatórias e sem pais entrando na escola nem reuniões de professores, o país conseguiu retomar as atividades escolares sem grandes problemas.

França

Na França, as aulas presenciais foram retomadas gradativamente desde junho do ano passado, mas casos de Covid-19 acabaram fazendo com que cerca de 70 escolas voltassem a fechar as portas logo depois. O país adotou distanciamento social, turmas reduzidas e o sistema híbrido, amparado pela escolha das famílias: todo o ensino pode ser ministrado à distância, se os pais assim preferirem.

Itália

A Itália, que sofreu no início da pandemia, também adotou um sistema híbrido: as escolas reabriram em setembro, mas desde janeiro os estudantes do ensino médio recebem 50% do conteúdo remotamente. Quando têm que ir à escola, devem usar máscaras e respeitar o distanciamento social.

Grécia

Na Grécia, um dos países que mais rapidamente controlou a pandemia em seu território, as escolas ficaram fechadas por dois meses. Na retomada, as turmas foram reduzidas e é feito um sistema de rodízio, alternando entre o ensino presencial e o remoto. As cantinas foram fechadas e foram proibidos jogos e competições. Caso um aluno seja diagnosticado com Covid-19, toda a turma ficará em casa por 10 dias.

Estados Unidos 

Nos Estados Unidos, país mais castigado pela pandemia, o retorno às aulas ainda é lento e inconstante, também por conta de questões políticas: estados republicanos têm sido mais flexíveis do que os democratas nas diretrizes que devem ser atendidas para que as escolas abram suas portas. Enquanto na Flórida, por exemplo, as aulas presenciais foram retomadas há meses, na Califórnia menos de 20% dos estudantes pisaram em uma sala de aula no último ano.

Um estudo recente feito em 50 estados norte-americanos concluiu que é possível retomar aulas presenciais em meio à pandemia desde que sejam adotadas diversas medidas de contenção de infecções. O estudo ainda mostrou que, caso o retorno às aulas seja feito de maneira errada, os pais (ou qualquer pessoa que more na mesma casa de uma criança que vai presencialmente à escola) têm um aumento de 38% nas chances de contrair a Covid-19.

Conte com a Hilab

A verdade é que o retorno às aulas presenciais ainda é um tema envolto em incertezas e insegurança por todo o mundo. Em países como o Brasil, onde a pandemia ainda está longe de ter sido controlada, a situação é ainda mais complicada, e o que sobra é receio por parte de pais, alunos e educadores.

No momento, é importante que cada um faça a sua parte. Nós, da Hilab, seguimos na luta para democratizar o acesso aos exames de Covid-19 por meio de nossos Testes Laboratoriais Remotos, que facilitam o acesso das pessoas a diferentes exames para detectar a doença. Disponibilizamos três diferentes TLRs para identificar a deonça, incluindo o exame de antígeno, que identifica transmissores da COVID-19 em até 30 minutos. Quer saber mais e contratar esse exame para o seu estabelecimento? Preencha o formulário que um consultor entrará em contato em até 48 horas! 

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