Reforço da vacina contra a COVID-19 começa na segunda quinzena de setembro

Conforme o tempo passa, mais os cientistas passam a entender sobre o vírus SARS-CoV-2, e podem planejar novas maneiras de garantir a imunização da população. A dose extra da vacina contra o novo coronavírus já é uma realidade em diversos países, inclusive no Brasil. Hoje, vamos saber mais sobre o reforço da vacina contra a COVID.

Vacinação no Brasil

Mais uma dose da vacina. Uma novidade dessas, justo quando a vacinação estava engrenando, gera desconfiança e até certa preocupação. Os índices de brasileiros imunizados estão crescendo dia após dia, todos ansiosos para retomar a vida normal (ou mais normal quanto possível) e de repente, mais uma dose da vacina se faz necessária.

No final de agosto, o Brasil já contabilizava mais de 130 milhões de pessoas que já receberam a primeira dose da vacina. Isso quer dizer que 81% da população adulta do país já iniciou o ciclo vacinal. Quando se fala em segunda dose (ou o imunizante de dose única), já são mais de 61 milhões de brasileiros vacinados – o que representa 38% dos brasileiros com mais de 18 anos.

Se por um lado estes números são muito promissores, por outro, a vacinação sempre andou aos trancos e barrancos em diversas regiões do Brasil. Campanhas sendo suspensas por falta de doses, pessoas recebendo os imunizantes errados, e, claro, a polêmica CPI da COVID – que investiga supostas omissões e irregularidades nas ações do Governo Federal diante da pandemia e da crise sanitária decorrente dela -, são apenas alguns dos problemas que comprometem o avanço do Plano Nacional de Imunização.

Além disso, há também a ameaça das novas variantes, que chegam como uma nova ameaça, e que ainda trazem muitas incertezas em relação ao “fim” da pandemia. Variantes que surgiram justamente pela demora e pelas falhas (de nível global) no esforço de vacinar as pessoas.

Imunidade de rebanho

Enquanto o problema era apenas o vírus original, a ideia era imunizar pelo menos 85% da população, a fim de alcançar a chamada imunidade de rebanho. Este termo, que se tornou bem popular por conta da pandemia, define o ponto em que a cadeia de transmissão de uma doença é interrompida graças a um grande percentual de indivíduos já imunizados dentro de um grupo populacional.

Com as novas variantes, especialistas acreditam que a chance de alcançarmos a tal imunidade de rebanho torna-se quase impossível, uma vez que isso dependeria de um cenário em que a vacina (ou a recuperação de um caso da doença) prevenissem completamente a incidência de novas infecções. Se as vacinas protegem do vírus original, mas não têm a mesma eficácia contra suas mutações – que são mais contagiosas -, torna-se inviável aplicar o conceito de imunidade de rebanho.

Isso não coloca em xeque a eficácia das vacinas – todas passaram por rigorosos testes, e foram aprovadas por órgãos regulamentadores do mundo todo -, mas não ignora o fato de que os imunizantes que estão sendo fabricados e distribuídos atualmente foram criados com base no vírus SARS-CoV-2, aquele que surgiu na cidade de Wuhan no final de 2019. 

As variantes que vêm surgindo em outros países têm especificidades e diferenças estruturais que podem “driblar” os anticorpos que o sistema imunológico cria com base na informação genética do coronavírus. Justamente por isso, surge a necessidade de uma dose extra, um reforço da vacina de COVID-19. 

Aliás, é importante que se entenda a diferença: não estamos falando de uma terceira dose, mas de um reforço. O Instituto Butantan explica a diferença: “a terceira dose é quando uma pessoa toma três doses de um mesmo tipo de vacina. No reforço, a composição do imunizante contra a COVID-19 não deve ser a mesma, mas uma atualização feita a partir das novas variantes em circulação do SARS-CoV-2, como acontece todo ano com a vacina da gripe, atualizada com as novas mutações do vírus”.

Ou seja, o reforço da vacina de COVID-19 deve trazer uma fórmula atualizada, que leva em consideração os avanços que foram feitos no estudo e no mapeamento genético das variantes que surgiram de 2019 para cá.

Efetividade das vacinas em populações especiais

Parte dessa preocupação se dá, obviamente, por conta das pessoas que possuem alguma comorbidade, e que correm mais risco de morte caso peguem a doença. Neste grupo entram idosos acima de 70 anos, transplantados e imunossuprimidos, por exemplo.

É difícil encontrar informações completas sobre a efetividade das vacinas em cada um desses grupos, uma vez que há muito mais estudo analisando os efeitos da imunização na população em geral.

Já é sabido, porém, que o imunizante fabricado pela AstraZeneca evita casos graves e hospitalizações em 93,8% dos casos de COVID-10 em pessoas de 60 a 79 anos. Para idosos acima dos 80, a taxa de proteção contra internações e caso grave da doença fica em 91,3%.

A CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan com base na fórmula do laboratório chinês Sinovac, apresenta dados para a população com mais de 60 anos. Em 67.4% dos casos, o imunizante é capaz de prevenir a doença sintomática. Já as hospitalizações para pessoas acima dos 60 anos podem ser evitadas em 83,3% das infecções. O risco de morte por COVID-19 também diminui 83% com esta vacina.

O Instituto Butantan também apresentou dados em relação à efetividade da CoronaVac para prevenir a morte de idosos. Em pessoas de 70 a 74 anos, evita-se o óbito em 86% dos casos. De 75 a 79 anos, o percentual de mortes evitadas fica em 87%. Para a população acima dos 80 anos, a proteção fica em cerca de 49,9%. Os dados são do Grupo VEBRA (Vaccine Effectiveness in Brazil Against COVID-19).

A Janssen não publicou dados específicos da efetividade de seu imunizante em populações especiais, mas atesta que foram identificados anticorpos neutralizantes em 96% dos adultos vacinados. Além disso,a vacina da Janssen (que é de dose única) apresentou 85% na prevenção de casos graves da doença 28 dias após a aplicação.

A Pfizer também não tem um estudo detalhado da efetividade de seu imunizante em grupos de risco. Sabemos, porém, que esta vacina consegue evitar infecção pelo coronavírus em 77% dos casos – em pessoas de 35 a 64 anos. Em indivíduos adultos, ela previne casos graves da doença em mais de 95% dos casos.

Quem deve tomar a dose de reforço

No final de agosto, o Ministro da Saúde Marcelo Queiroga anunciou que a dose de reforço vacina COVID começaria a ser aplicada a partir do dia 15 de setembro. Esta data é válida para o Plano Nacional de imunização, mas as Secretarias Municipais de Saúde podem estipular seus próprios calendários, de acordo com a disponibilidade de doses. 

Em São Paulo, por exemplo, os idosos começam a receber o reforço já no dia 6 de setembro. Outros estados vão respeitar o cronograma do Governo Federal, e devem iniciar a nova etapa da vacinação na segunda quinzena de setembro.

Terão prioridade os idosos com mais de 70 anos que completaram o esquema vacinal há mais de seis meses, e pessoas imunossuprimidos que tomaram a segunda dose (ou a vacina dose única) há pelo menos 28 dias.

Embora o Ministério da Saúde não tenha especificado a questão dos imunossuprimidos, acredita-se que será mantida a pasta que definia o grupo durante a imunização normal. Ou seja, estão incluídos indivíduos:

  • Pessoas transplantadas de órgão sólido ou de medula óssea
  • Pessoas com HIV e CD4 <350 células/mm3
  • Pessoas com doenças reumáticas imunomediadas sistêmicas em atividade e em uso de dose de prednisona ou equivalente > 10 mg/dia ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida
  • Pessoas em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias
  • Pessoas com neoplasias hematológicas
  • Pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses

Em todos esses casos, a orientação é que os pacientes recebam a dose de reforço da vacina quando estiverem com a doença controlada ou em remissão, ou mesmo em baixo grau de imunossupressão ou sem imunossupressão.

Variante delta

Toda essa movimentação em torno do reforço vacina COVID se deve, principalmente, ao perigo que a variante delta representa. Originária da Índia, esta mutação do vírus mostrou-se a mais perigosa até o momento, uma vez que é mais transmissível e possui maior resistência à resposta imunológica do indivíduo infectado.

Estima-se que existam 7 mutações diferentes dentro do “grupo” variante Delta. A denominada P681R carrega uma variação na proteína spike que leva uma maior quantidade de vírus às vias respiratórias, o que resulta em uma maior transmissibilidade.

A variante delta surgiu em outubro de 2020, e aos poucos foi se alastrando pelo  mundo. No Brasil, já é responsável pelo maior número de casos em diversas cidades: dos novos casos de COVID-19 em São Paulo, 70% são da variante delta. No Brasil, esta mutação já responde por cerca de 59% dos casos.

O fato da variante delta apresentar sintomas mais amenos – dor de cabeça, dor de garganta, dores pelo corpo, coriza e febre – está deixando os especialistas em alerta para a possibilidade desta outra cepa desencadear uma “pandemia oculta”, com potencial de transmissão ampliado pelo ritmo da vacinação e pelo gradual afrouxamento das medidas restritivas.

De qualquer jeito, a pandemia ainda não acabou. Quem faz parte do grupo especial não deve deixar de receber o reforço da vacina contra COVID e continuar respeitando os protocolos de segurança – máscara, distanciamento social e higienização das mãos.

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